Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
Análise

Trégua entre China e EUA pouco muda o cenário para a soja brasileira

Pelos próximos 90 dias, apenas não haverá imposição de nova tarifas pelos americanos.
São Paulo, SP, 04 de Dezembro de 2018 - Um esperado acordo entre Estados Unidos e China para terminar a guerra comercial que travam há meses não ocorreu no G20 de Buenos Aires. Os dois países só acertaram uma trégua de 90 dias.

Essa parada para a apresentação de novas propostas pelas duas partes não deverá mudar o cenário agrícola atual, e o Brasil pouco será afetado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o dirigente chinês, Xi Jinping, durante jantar em Buenos Aires, no sábado (1º)
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o dirigente chinês, Xi Jinping, durante jantar em Buenos Aires, no sábado (1º) - Kevin Lamarque - 1º.dez.18/Reuters
Isso porque nada muda, por ora. Apenas não serão acrescentadas novas tarifas nos produtos negociados entre os dois países a partir de janeiro, como havia prometido Donald Trump.

A soja é o principal produto agrícola disputado por EUA e Brasil na China. A colheita americana já terminou, e a brasileira começa em 30 dias. Ambos terão volumes recordes de produção.

Um eventual favorecimento dos EUA nesse cenário só ocorreria com a concretização da afirmação de Trump de que a China vai importar “muito produto agrícola” dos EUA.

Não deve ocorrer, no entanto. O próprio secretário do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), Sonny Perdue, não acredita em uma retirada, pela China, das taxas impostas à soja.

Se a China voltar às compras nos Estados Unidos, o preço da oleaginosa subirá em Chicago, elevando os gastos dos chineses. Além disso, A China tem estoques elevados e boa oferta de produto da Argentina e do Brasil. No caso brasileiro, provavelmente os chineses não terão de pagar um prêmio extra tão elevado como neste ano, uma vez que a oferta de soja da América do Sul será maior em 2019.

Essa trégua temporária fará bem para os dois países. As indústrias da China seriam muito afetadas pela taxa de 25%, que estava sendo prometida por Trump.

Já os Estados Unidos, além do encarecimento do custo interno e da redução das vendas industriais para a China, já convivem com um sério problema: o da agropecuária.

Os americanos têm queda nas exportações de soja, trigo, sorgo, carnes e arroz.

A ação de Trump já causou sérios danos à agropecuária. Estimativas do próprio governo indicam que a renda agrícola dos EUA deverá cair 12% neste ano. Dentro da porteira, o recuo será de 8,4%.

A renda cai porque os preços recuam. E essa queda se deve à redução de horizontes para as exportações. No ano fiscal de 2017/18, a China havia comprado 19,4 milhões de toneladas de soja dos americanos até o fim de novembro. Neste ano, o volume é de apenas 600 mil toneladas.

A ausência da China no mercado americano fará com que os estoques de soja dos EUA terminem o ano fiscal, em 31 de agosto de 2019, em 23% do consumo, o mais alto patamar desde a safra 1985/86.

A pressão sobre Trump para o fim dessa aventura protecionista é grande. A guerra comercial com a China afeta vários setores agrícolas. As compras de algodão dos EUA pela China caíram 39% de julho a setembro.

Só com os principais grãos exportados, os EUA já gastaram US$ 4,7 bilhões de subsídios internos. E vem aí uma segunda rodada de ajuda.

Trump não tinha ideia da encrenca em que ia se meter com a China. É bom que o futuro presidente, Jair Bolsonaro, aprenda que com mercado não se brinca. É fácil perdê-los e difícil reconquistá-los.
A trégua entre EUA e China fez a soja subir 1,2% em Chicago nesta segunda-feira (3). O algodão teve alta de 1,3%% em Nova York.

No Brasil, com a redução dos prêmios, os preços ficaram estáveis e o mercado travado, segundo a AgRural.

Carnes

Os preços externos das proteínas melhoraram no mês passado, em relação aos de outubro. O melhor desempenho ficou para a carne suína, que teve alta de 3,5%. A bovina subiu 2,5%, e a de frango, 2,8%.

Quantidade

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento. O Mdic apontou, ainda, que a indústria colocou 131 mil toneladas de carne bovina no mercado externo em novembro, 6% mais do que em outubro.

Em queda

Já as exportações de carne de frango “in natura” recuaram para 297 mil toneladas, 3,5% menos no mês. A suína somou 51 mil toneladas, com média 3,3% superior à de outubro.

No ano

As receitas com as exportações de carne de frango “in natura” caíram para US$ 5,4 bilhões até novembro, 10% menos do que em igual período de 2017.

Milho

As receitas com o cereal também foram menores no ano, caindo 14% em relação às de janeiro a novembro do ano passado.
(Folha de S.Paulo) (Mauro Zafalon)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 17/02
Sexta-Feira, 15/02
Frango: Cepea aponta que poder de compra vem registrando mais um mês de queda (09:32)
Ovos: preços de fevereiro são os maiores desde junho/2018, destaca Cepea (09:30)
China anuncia tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro por 5 anos (08:21)
Para cobrir rombo, Estados elevam tributação sobre agronegócio (08:11)
Suíno Vivo: altas em SP, PR, MG e GO (08:08)
Boi Gordo: mercado em ritmo lento (08:06)
Boi Gordo: volume de animais abatidos no BR se eleva em 2018 (08:05)
Milho: mercado estável (08:04)
Soja: preços registram alta (08:00)
MSD Saúde Animal patrocina Congresso de Ovos e debate complexo respiratório em espaço empresarial (07:43)
Quinta-Feira, 14/02
Mercado será foco dos debates na abertura do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (13:52)
2ª Conbrasul Ovos abre período de inscrições online (13:38)
Indústria de alimentos prevê avanço de até 4% (09:34)
Etanol de milho avança (09:32)
Nova regra incentiva emissão de letras de crédito do agronegócio (08:50)
Pilgrim’s Pride registra prejuízo de US$ 8,2 milhões no 4º trimestre (08:40)
Recall da BRF expõe falha e transparência (08:38)
IOB segue sua campanha em São Paulo (08:26)
Vetanco homenageia Cooperitaipu (08:22)
Suíno Vivo: estabilidade nas cotações (08:16)
Boi: em SP, preço da arroba está estável (08:12)
Milho: estabilidade domina o dia (08:05)
Preços da soja sobem no Brasil nesta 4ª feira (08:00)
Quarta-Feira, 13/02
VAXXITEK® já imunizou 100 bilhões de aves contra Marek e Gumboro (11:53)
Santa Catarina começa o ano com alta nas exportações de carnes (11:23)
Por salmonela, BRF faz recall de lotes de frango no Brasil e exterior (08:22)
Exportações do agronegócio sobem 6% em 12 meses e somam US$ 102,14 bilhões (08:07)
Suíno Vivo: alta de 5,12% em SC (08:05)
Boi gordo: oferta restrita dificulta a compra pelos frigoríficos (08:03)
Mercado Interno do milho permanece estável (08:00)
Brasil proíbe uso de antibióticos promotores de crescimento (07:51)
Clima adverso faz Conab e IBGE reduzirem projeções para safra (07:50)
SP: produção de grãos deve superar sete milhões de toneladas (07:49)
Terça-Feira, 12/02
IBGE: Cai o abate de frangos, sobe o de bovinos e suínos (10:51)
Prêmio Lamas de pesquisa avícola está com inscrições abertas (08:22)
NUCLEOVET faz evento de lançamento dos Simpósios 2019 em Chapecó (08:20)
Suíno Vivo: alta de 2,94% no PR (08:09)
Mercado do boi gordo retoma fôlego (08:06)
Mercado interno do milho apresenta pouca movimentação (08:04)
Produção de soja poderá ser a menor em três anos (08:02)
Preços da soja no Brasil apresentam poucas mudanças (08:00)
Por que ainda não sou vegetariano (07:57)
Após suspensão, exportadores de frango do Brasil vão a Riad (07:56)
No centro de inovação da BRF, um olhar sobre o futuro da embalagem (07:55)