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Matérias-Primas

USDA tem efeito limitado e soja fecha estável na Bolsa de Chicago nesta 5ª feira
Campinas, SP , 09 de Novembro de 2018 - Depois de toda a ansiedade e expectativa dos traders e de baixas que passaram dos 10 pontos após a divulgação dos números, o novo boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) acabou exercendo um efeito limitado para os preços das soja negociados na Bolsa de Chicago e as cotações terminaram o dia, mais uma vez, com estabilidade.

Os preços da commodity terminaram a sessão recuando apenas de 0,75 a 1,25 ponto nos vencimentos mais negociados, com o novembro/18 sendo cotado a US$ 8,67 e o maio/19 com US$ 9,04 por bushel.

O boletim mensal de oferta e demanda parece, de fato, ter balanceado boas e más notícias para a oleaginosa. "Hoje é dia de relatório, talvez amanhã o mercado absorva a realidade", acredita o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo de Sousa.

Entre os fatores de pressão, estiveram a baixa drástica nas exportações norte-americanas, as quais foram revisadas de 56,06 para de 51,71 milhões de toneladas, e um aumento considerável dos estoques finais norte-americanos, agora projetados em mais de 25 milhões de toneladas.

Por outro lado, O USDA trouxe ainda uma baixa da produção global, uma redução da safra americana, da argentina e reduções nos estoques finais brasileiros.

No balanço geral, Sousa explica, portanto, que o relatório foi, de fato, baixista para os preços da soja em Chicago e que não há, nesse momento, nenhum fator verdadeiramente altista para os preços e a pressão continua.

Passada a chegada dos novos números, como explica o analista de mercado, os traders estarão de olho nas reuniões do G20 que acontecem na Argentina em 30 de novembro e 1º de dezembro, quando se espera que Donald Trump e Xi Jinping voltem a se encontrar para uma nova rodada de negociações.

A expectativa é de que um acordo comercial saia desse encontro, porém, especialistas reafirmam que Trump deve manter sua retórica mais dura, uma vez que tem estados "feliz", como explica o diretor da Labhoro, com os atuais resultados da economia americana após as mudanças implementadas por sua equipe.

E por enquanto, ainda em meio à guerra comercial entre chineses e americanos segue fraca a demanda pela soja dos Estados Unidos.

Os EUA venderam, na semana encerrada em 1º de novembro, 388,4 mil toneladas de soja em grão, enquanto as expectativas variavam de 400 mil a 700 mil toneladas. O total é 2% menor do que o da semana anterior e 16% maior do que a média das últimas quatro semanas. O maior comprador no período foi a Holanda e novos cancelamentos para destinos não revelados foram registrados na casa de 379,5 mil toneladas.

No acumulado da temporada, as vendas somam 21.839,2 milhões de toneladas, contra mais de 31,4 milhões do mesmo período do ano anterior,

Da safra 2019/20 foram vendidas 3 mil toneladas para o Japão.

Mercado Brasileiro

Nesse ambiente, as cotações da soja no mercado brasileiro também tiveram uma quinta-feira de estabiilidade e as variações foram apenas pontuais entre as principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas.

No Sul do Brasil, os preços cederam até 1,36%, como foi o caso de Londrina, Paraná, onde a saca terminou o dia com R$ 72,50. Na outra ponta, em Palma Sola/SC, o preço subiu 0,67% para R$ 75,00.

Nos portos, as cotações recuaram mais de 1%. Em Paranaguá, R$ 84,00 no disponível, com queda de 1,18% e R$ 76,00 na safra nova, caindo 1,30%. Em Rio Grande, baixa de 1,33% no spot, para R$ 89,00, e de 1,65% no dezembro/18 para R$ 89,50 por saca.

Para a formação dos preços no Brasil o dólar também não colaborou. A moeda americana fechou o dia estável, com leve baixa de 0,03% e valendo R$ 3,7382 na venda.

"A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos foi boa para reduzir o ímpeto de o Fed subir os juros. Embora a reunião de hoje seja menos importante porque não se espera aumento das taxas, é importante porque o mercado quer saber o que o banco central vai escrever", explicou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos José Faria Júnior à agência de notícias Reuters.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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