Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
Matérias-Primas

Alta de custo vai reduzir margens na safra de soja
São Paulo, SP, 05 de Novembro de 2018 - O aumento de custos deverá pesar mais no bolso dos produtores brasileiros de soja do que o inicialmente esperado nesta safra 2018/19, já que o enfraquecimento do real em relação ao dólar entre junho e agosto, período importante de compra de insumo, encareceu ainda mais sementes, fertilizantes e defensivos.

Entre junho e agosto, a moeda americana subiu cerca de 9% em relação à brasileira e superou R$ 4. Hoje está em torno de R$ 3,70 e não dá sinais de que voltará aos picos recentes, o que reduz a chance de o produtor compensar o câmbio adverso na aquisição dos insumos, grande parte importada, no momento de vender sua colheita. A projeção do Boletim Focus do Banco Central é que o dólar termine o ano no patamar atual. Para 2019, a expectativa é que a moeda fique em torno de R$ 3,80.

O agricultor até poderia ter lucrado nesse embate cambial, já que o dólar chegou perto de R$ 4,20 em setembro e houve estímulo para o avanço das vendas antecipadas da safra que ainda está sendo plantada. Mas as tradings tiveram dificuldades em fixar preços devido à volatilidade financeira que antecedeu as eleições e às incertezas em relação aos fretes rodoviários, e o mercado parou.

“O produtor terá que sacrificar margens que, muito provavelmente, serão menores que as previstas inicialmente”, afirma Enilson Nogueira, analista da Céleres. A receita operacional média esperada pela consultoria para a soja em 2018/19 até agora está estimada em R$ 3.628 por hectare, considerando um dólar médio de R$ 3,79 ao longo do ciclo. Com os aumentos de insumos e fretes, a margem operacional média do sojicultor está prevista em R$ 1.191 por hectare, uma redução de quase 27% sobre 2017/18 (R$ 1.628).

Segundo Matheus Almeida, analista do Rabobank, os gasto dos produtores de soja com fertilizantes foram entre 15% e 35% nesta temporada, enquanto a alta dos defensivos foi de cerca de 20%. No caso dos defensivos, também influenciou a escalada a menor disponibilidade de matéria-prima na China, onde centenas de fábricas foram fechadas por questões ambientais. Segundo dados do governo chinês, a produção de pesticidas no país caiu em torno de 30% em 2017.

Conforme Henrique Mazotini, presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), algumas moléculas para a formulação de defensivos aumentaram até 30%. “O produtor mudou o ‘combo’ de insumos para tentar diminuir o impacto desse aumento”, comenta Almeida, do Rabobank. Mas segundo Rogério César, representante técnico da FMC na região de Cascavel (PR), essa mudança não provocou alívio significativo.

Nesse contexto, os sojicultores continuam a apostar nos reflexos positivos das disputas comerciais entre Estados Unidos e China sobre os prêmios pagos pelo grão brasileiro nos portos para inflar seus ganhos. Na quinta-feira, contudo, emergiram novas especulações de que poderá haver um armistício, o que motivou a alta das cotações na bolsa de Chicago e valorizou o produto americano. “A guerra manteve a rentabilidade da safra 2017/18 muito alta”, lembra Nogueira, a Céleres. “Mas [independentemente do desfecho das disputas], a demanda chinesa pela soja brasileira deverá continuar aquecida em 2018/19”.

Ainda assim, a tendência é que os prêmios caiam a medida em que a colheita americana continuar a entrar no mercado. Em Paranaguá (PR), o prêmio pago pela soja com entrega em novembro estava na semana passada em US$ 2,20 sobre o valor do bushel negociado na bolsa de Chicago. Para o grão com entrega em março, já eram US$ 0,90.

“A tendência é que os prêmios caírem. Estamos no limite. Mas ainda vão se manter altos”, diz Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. Para Nogueira, da Céleres, embora a tendência seja de rentabilidade consideravelmente menor em 2018/19 em relação à temporada 2017/18, o produtor ainda poderá respirar aliviado. “O sinal amarelo começa a acender mesmo com o dólar abaixo dos R$ 3,50”.

Ainda resta boa parte da safra 2018/19 a ser comercializada e muita volatilidade cambial pode ocorrer. De acordo com a Safras, a venda antecipada da safra 2018/19 de soja do Brasil está em 27,3% de uma produção projetada em 121,1 milhões — abaixo da média histórica para o período, que é de 30,2%.

(Valor) (Kauanna Navarro )
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quarta-Feira, 24/04
Crise reformulará mercado global de proteínas animais (07:53)
Peste suína na China faz ações de frigoríficos dispararem (07:50)
Boi gordo: demanda em baixa, mas oferta restrita limita quedas (07:36)
Avanço do plantio americano deixa cotações do milho em baixa na Bolsa de Chicago (07:33)
Soja fecha com mais de 15 pts de baixa em Chicago e preços caem mais no Brasil (07:30)
China deve aumentar compras de frangos e suínos (07:12)
Workshop visa esclarecer adequações de instalações aduaneiras a exigências do Vigiagro (07:11)
BRF: Parece que o jogo virou, não é mesmo? (07:10)
Terça-Feira, 23/04
Negociações do Plano Safra na reta final (08:50)
Plantio de milho avança nos EUA, o que é bom para o sojicultor brasileiro (07:03)
Elanco começa trajetória independente da Eli Lilly (06:34)
AVES e CRMV-ES realizam curso para o setor de ovos do ES (06:30)
Carne brasileira pode ampliar espaço no mercado chinês, diz ministra (06:20)
Consumo calmo pressiona preços da arroba do boi (06:15)
Segunda-feira termina com milho desvalorizado em Chicago (06:09)
Soja: portos fecham em queda nesta 2ª feira com recuo em Chicago (06:07)
Preocupação na demanda por soja, peste suína africana se alastra por toda China (06:04)
Segunda-Feira, 22/04
StarYeast®, da ICC Brazil, é alternativa para crise de vitamina B2 na União Europeia (10:07)
Programa de autocontrole: cooperativas entregam carta de reivindicações ao MAPA (09:17)
Semana será decisiva para impasse entre governo e caminhoneiros (08:34)
PIB do agronegócio mineiro fecha 2018 com crescimento de 3,55% (08:32)
Serviço de Inspeção de Pernambuco passa a ter equivalência ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (08:20)
Ovos: última semana da Quaresma é marcada por preços estáveis (08:18)
Surto de peste suína africana na China altera dinâmica do mercado de carnes no Brasil (08:18)
Soja: preços sobem, mas médias mensais são as menores desde janeiro (08:15)
China terá redução de 10 mi de toneladas na oferta de carnes com peste suína (08:10)
Incerteza econômica faz agroindústria patinar (08:09)
Suínos: estabilidade nos preços na última semana (08:05)
Soja volta do feriado trabalhando com leves baixas em Chicago nesta 2ª feira (08:00)
Sexta-Feira, 19/04
Quinta-Feira, 18/04
Frango: preços da carne sobem com força em Abril (11:16)
Suínos: carcaça se mantém estável e ganha competitividade frente ao frango (11:15)
Boi Gordo: oferta limitada mantém indicador firme neste ano (11:14)
Prévia do IGP-M consolida desaceleração dos preços (10:54)
Bahia: Deputada e Secretário de Agricultura se reúnem com Secretário Nacional de Defesa Agropecuária (10:50)
Fiscais agropecuários gaúchos farão treinamento em boas práticas e bem-estar animal (10:46)
Cobb dos EUA faz intervenção na filial brasileira (07:53)
O perigo de mexer com o Irã (07:39)
Boi Gordo: indústrias estão com dificuldade de compras (07:20)
Incerteza sobre o plantio americano mantem milho 1 cent mais baixo em Chicago (07:18)
Soja dá continuidade ao movimento de baixa e perde mais 10 pontos em Chicago (07:15)
Paraíba: governo promove cursos de avicultura e incentiva produção no estado (00:34)
Crise diplomática é desafio para o setor (00:33)