Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
Mercado

Valor dos ovos cai 11,8% em dois meses

Preços de 2017 na avicultura de postura incentivaram granjeiros a ampliar alojamentos, mas excesso de produto derruba valor abaixo do custo de produção e exige reavaliação na cadeia
Londrina , 05 de Novembro de 2018 - Quando a crise econômica eclode, quem precisa de proteína não pode deixar de quebrar alguns ovos. Ao custo de centavos por unidade, o consumo do produto aumentou das 148 unidades por brasileiro em 2010 para 212 previstos para este ano, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O avanço também é fruto da recuperação da reputação junto à classe médica e de uma campanha de marketing feita por entidades da cadeia, que animou granjeiros e fez com que a produção saltasse 10,8% em 12 meses no País, mesmo que a economia nacional ainda voe como uma galinha.

O problema é que a avicultura de postura ainda é muito dependente do mercado interno. Depois de um período de alta nos preços, o excesso de oferta derrubou o valor abaixo do custo de produção. Números da Apavi (Associação Paranaense de Avicultura) apontam que o alojamento deveria estar em torno de 8,5 milhões de pintainhos no Estado, mas chegou a 11,5 milhões em alguns meses deste ano. Os granjeiros passaram a ampliar a quantidade de animais depois que o preço médio semanal da caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a R$ 95,60 no fim de abril de 2017, de acordo com o indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Contudo, o valor vem em queda desde então. Somente nos últimos dois meses recuou 11,8% até a semana encerrada no último dia 26, informa o Cepea. O valor médio de R$ 57,66 é também o mais baixo da pesquisa ao menos desde janeiro de 2017, data inicial das informações disponibilizadas pela entidade.

O pico deste ano foi marcado em meados de março, com R$ 85,75, uma diferença de 32,7% para o preço da semana anterior. O presidente da Apavi, Arnaldo Cortez, diz que o valor atual nem mesmo cobre os R$ 70 do custo de produção de uma caixa com 30 dúzias de ovos. "Estamos em uma fase ruim desde dezembro e janeiro, porque os preços estavam muito bons e os produtores aumentaram demais os plantéis", diz.

Cortez afirma que, mesmo assim, a ampliação da cadeia no Paraná é menor do que a de outros Estados. "Já fomos o quarto produtor nacional e hoje somos o sétimo, e isso com 11,5 milhões de pintainhos", diz. "No Nordeste e no Mato Grosso, abriram muitas granjas para aproveitar a proximidade da produção do milho, o que barateia, e isso elevou demais a oferta", completa.

Parte do problema é o alto custo dos insumos, principalmente a soja e o milho da ração, mas os granjeiros estão acostumados a enfrentar essa oscilação. Contudo, o presidente da Apavi considera que, como o setor não é integrado como a avicultura de corte e a suinocultura, o eventual desequilíbrio entre oferta e demanda demora mais para ser identificado.

PROMOÇÃO DE CONSUMO

Conforme a ABPA, há espaço para ampliar ainda mais a demanda de ovos por parte dos brasileiros. "Ainda estamos abaixo da média mundial, que supera 230 unidades anuais, e estamos longe de índices como o consumo mexicano, que supera as 360 unidades todos os anos", diz, em nota, o presidente da entidade, Francisco Turra

A ABPA e outros representantes do setor têm feito campanha para promover o consumo de ovos, como parte do fortalecimento da nutrição humana. "O ovo é considerado um alimento completo, rico em proteína, ferro, zinco e os carotenóides, luteína e zeaxantina, que são poderosos antioxidantes, além de conter colina, uma vitamina do complexo B responsável pela condução de impulsos nervosos e formação do centro da memória", afirma o presidente do Instituto Ovos Brasil e diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin.

Criadores antecipam abates de poedeiras
A recuperação do preço de mercado deve vir do descarte, ou abate, de poedeiras mais antigas. "O mercado deve começar a se equilibrar agora em novembro, mas vai voltar ao normal somente no início do ano que vem", diz o presidente da Apavi (Associação Paranaense de Avicultura), Arnaldo Cortez.

Sócio-proprietário da Granja Hayashida e da Araovos, Oscar Hayashida, afirma que começou a ajustar o plantel já há dois meses, para tentar reverter o prejuízo de 32% com o qual tem convivido. "Estamos antecipando o descarte de três lotes que seria feito somente em março de 2019 para setembro, outubro e novembro", conta. Cada grupo abatido representa 10% das 1,5 milhão de cabeças alojadas nas granjas da família.

A perda de uma poedeira ainda produtiva representa prejuízo mesmo com a venda da carcaça por quilo. "Um pintinho com um dia de vida custa R$ 2,50 e, quando fazemos o descarte da ave, que tem cerca de um quilo e meio, recebemos R$ 0,17 por quilo", explica o presidente da Apavi.

Mesmo assim, Hayashida não desanima. "Estamos há 60 anos nesse segmento e é mais ou menos normal essa crise no setor a cada três, quatro anos. Não vejo culpa em governo, em mercado, em nada e é só nos adaptarmos, fazer o dever de casa, para melhorar no próximo ano."

O planejamento estratégico da granja prevê chegar a 2022 com 2,5 milhões de unidades alojadas somente na avicultura de postura. Hayashida diz que o número de 1,5 milhão atingido neste ano, antes do início dos descartes, havia até sido registrado antes do previsto, também na onda da alta de preços de 2017. "Meu avô começou com cem cabeças, passou para o meu pai com 1,5 mil, ele chegou até 72 mil e junto a ele e meus dois irmãos fomos a 1,5 milhão. A atividade é boa e sou otimista", diz Hayashida.


Produtor quer virar apenas revendedor

A baixa no mercado levou à possibilidade de mudança de lado na cadeia produtiva de ovos para o granjeiro Carlos Roberto de Marco, proprietário também do entreposto cambeense Ovos Itália. Ele chegou a ter 25 mil cabeças alojadas, mas reduziu o plantel a 8 mil e estuda se transformar somente em revendedor.

A baixa atual fez com que Marco reduzisse o número de funcionários e o capital investido no campo e focasse na compra e venda para atacado e varejo. "Em parte foi a alta do custo da ração, o baixo preço de comercialização e os excessos da legislação. Parece que o produtor rural é bandido, que faz tudo errado, de tanta fiscalização que impõem", diz o granjeiro de Arapongas.

Na atividade rural há 25 anos e no comércio há dez, ele estima que produza menos de 10% do total vendido. Mesmo assim, ele teme pelos companheiros de labuta diária caso os preços não aumentem nos próximos meses. "Se tivermos de esperar até fevereiro, vai ter muito criador 'abrindo o bico'", afirma. Ele cita fevereiro porque o preço costuma subir nessa época, entre outras coisas, por conta do maior consumo de ovos na Quaresma.
(Folha de Londrina) (Fábio Galiotto)
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