Domingo, 20 de Janeiro de 2019
Análise

Crédito rural: necessário manter e inovar
Florianópolis, SC, 14 de Agosto de 2018 - Desde a década de 1960, o Crédito Rural tornou-se importante instrumento de apoio ao desenvolvimento do setor primário, assegurando recursos destinados a custeio, investimento ou comercialização. As regras, finalidades e condições são estabelecidas pelo Banco Central do Brasil e seguidas por todos os agentes que compõem o sistema nacional de crédito rural, como bancos e cooperativas de crédito. A agricultura e o agronegócio garantem a segurança alimentar, a geração de riquezas exportáveis e criação de empregos. Nunca antes ocorreu tão profunda compreensão a respeito desse amplo, avançado e complexo setor da vida nacional.

O sistema de crédito rural não é um privilégio, mas uma das últimas políticas públicas relevantes, pois atende a verdadeira locomotiva da economia nacional. Em todas as nações evoluídas, a agricultura e o agronegócio são considerados áreas essenciais que merecem apoio e proteção especial do Estado, tendo o crédito rural subsidiado como uma das mais eficientes políticas de apoio.

Nos últimos tempos, esse tema tem sido objeto de grande preocupação para o agronegócio brasileiro. A crise econômica impactou fortemente na disponibilidade de recursos. De um lado, houve redução de recursos pelas instituições financeiras, em razão da queda da poupança e dos depósitos à vista que, somado à elevação dos juros (necessário para melhor equação dos gastos públicos com os subsídios), encareceu o financiamento da produção.

De outro lado, há a crescente necessidade de mais recursos para a agricultura em consequência do aumento da escala de produção, elevação de custos acima da inflação dos principais insumos fornecidos por grandes companhias multinacionais e desvalorização do real frente ao dólar.

O agronegócio é responsável pelas principais respostas positivas da economia. Seus efeitos são sentidos na geração de empregos em toda a cadeia, na segurança de abastecimento de alimentos e controle da inflação, no comércio internacional altamente superavitário, na geração de receitas fiscais nas esferas municipais, estaduais e federais, dentre outros impactos relevantes.

Entretanto, o formato da política de crédito rural permanece o mesmo do século passado, quando o País não era autossuficiente em alimentos. Atualmente, o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. A política de crédito rural sempre foi essencial, mas as necessidades de financiamento aumentaram.

Reformatar a política de crédito rural deve ser prioridade nas reformas estruturais, as quais – e a sociedade precisa se convencer disso – são necessárias para a pavimentação do futuro. A política de financiamento do setor primário cumpre função decisiva na consolidação da liderança internacional na produção sustentável de alimentos. O Brasil pode dobrar a produção de alimentos sem nenhum dano ambiental. Temos clima, solo, água e tecnologia para isso. E ainda temos vasto potencial para a restauração florestal.

Entre as questões em análise estão a necessidade de melhorar a previsão dos recursos e simplificar a operação do sistema. É essencial ir além do crédito e incluir instrumentos de seguro e gestão de risco, pois a agropecuária brasileira também está exposta a diversos riscos como variações no clima, ocorrência de pragas e doenças ou mesmo flutuações de preços.Há grande espaço para ampliação do setor privado.

É evidente que a política de crédito rural deve acompanhar o dinamismo do agronegócio brasileiro. O essencial, contudo, é reconhecer que não há conflito entre produção agropecuária e defesa ambiental, conservação ambiental. O produtor rural e o empresário rural são os que mais protegem.

Há um potencial enorme para a conciliação entre crescimento econômico e conservação ambiental. A política de crédito rural tem um papel central para a realização desses ganhos. É possível fazer muito mais com os recursos disponíveis. Já passou da hora de a política pública se ajustar à nova realidade do setor e contribuir para seu desenvolvimento sustentável.

Entretanto, há algum tempo a área econômica do Governo sinaliza discretamente que pretende migrar do atual sistema de crédito com subsídio do Tesouro Nacional e cujos recursos derivam dos depósitos à vista para um novo modelo, baseado em emissão de títulos (CRAS, LCA, CDCA, CDA, etc.). Entendemos que essa proposta não pode prosperar, pois não é adequada aos produtores catarinenses, predominantemente micro, mini e pequenos, responsáveis por um modelo altamente eficiente e de produção intensiva, em pequenas áreas fundiárias.

Por José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
(Faesc) (José Zeferino Pedrozo)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 20/01
Sexta-Feira, 18/01
FRANGO/CEPEA: desaquecimento de negócios pressiona valores da carne (09:51)
OVOS/CEPEA: poder de compra do avicultor inicia 2019 em queda (09:50)
Milho: produtor de MT revê planos para safrinha (09:45)
Porto de Itajaí fecha o ano com melhor resultado desde 2011 (09:23)
Estudo sugere 'dieta universal' para salvar o planeta (09:22)
Ministério remove 'blindagem' de superintendências estaduais (08:22)
Boi Gordo: oferta regulada à demanda (08:09)
Milho: quinta-feira chega ao fim com preços em alta de até 6 pontos na Bolsa de Chicago (08:05)
Soja fecha a 5ª feira com altas de mais de 13 pts em Chicago com correção técnica e olhos no Brasil (08:00)
Quinta-Feira, 17/01
SUÍNOS/CEPEA: média do vivo é a menor para janeiro desde 2007 (11:06)
BOI/CEPEA: bom planejamento pode garantir margens positivas no fim de 2019 (11:03)
Balança Comercial Paulista registra superávit de US$ 11,49 bilhões, aponta IEA (11:02)
2ª Conbrasul Ovos 2019 vai reunir lideranças da avicultura de postura nacional e internacional de 16 a 19 de junho (09:28)
Presidente da ABPA se reúne governador Eduardo Leite (09:05)
Ministério tenta reabrir UE a carnes e pescados (08:28)
Milho: Bolsa de Chicago mantem tendência ao longo do dia e encerra quarta-feira em alta (08:23)
Carrefour vai monitorar fornecedores de carne por câmeras na França (08:20)
Fiscais Agropecuários gaúchos passarão por capacitação em inspeção (08:05)
STF abre investigação contra políticos na Operação Carne Fraca (08:02)
Três laboratórios têm selo Inmetro cancelado após descobertas da Operação Trapaça (08:00)
Cotação do boi gordo estável em São Paulo e frouxa em Mato Grosso do Sul (07:30)
Em mais um dia vazio de informações, soja fecha estável em Chicago nesta 4ª feira (07:18)
Quarta-Feira, 16/01
Brasil fomenta o maior projeto agropecuário da África (09:01)
ICC Brazil participa do IPPE 2019 (09:01)
Presença diária de fiscais em frigoríficos deverá ser mantida (08:56)
Quantos likes um ovo merece? (08:30)
Boi Gordo: atenção com as vacas e novilhas (08:04)
Milho: Bolsa de Chicago encerra terça-feira com quedas nos preços (08:02)
Soja trabalha em campo positivo nesta 4ª feira em Chicago em ajuste técnico depois das baixas (08:00)
Valor da Produção fecha 2018 em R$ 569,8 bilhões (07:49)
Terça-Feira, 15/01
FRANGO/PERSPEC 2019: após ano difícil, cenário sinaliza recuperação para 2019 (11:27)
OVOS/PERSPEC 2019: excesso de produção pode limitar ganho; produtores devem ter cautela em 2019 (11:25)
SUÍNOS/PERSPEC 2019: exportação e custo menor podem garantir ano mais positivo (11:23)
BOI/PERSPEC 2019: após exportação recorde em 2018, setor aposta em demanda interna em 2019 (11:21)
Foto de ovo tem o maior número de “curtidas” do mundo (07:39)
Redes de fast-food não se comprometem com bem-estar de frangos, diz ONG (07:38)
eSocial: o que o empregador PF precisa saber sobre CAEPF (07:37)
Baixa demanda por carne bovina mantém mercado do boi com pouca movimentação (07:20)
Importações chinesas de soja recuaram 8% em 2018 (07:18)
Soja testa leves altas em Chicago nesta 3ª feira corrigindo as últimas baixas (07:17)