Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019
Mercado Externo

Com guerra comercial, cotação da carne suína desce a ladeira nos EUA
Chicago e Nova York, EUA, 17 de Julho de 2018 - As guerras comerciais de Donald Trump fizeram a carne suína virar uma pechincha. A produção dos EUA caminha para ser a maior na história neste ano e a previsão para 2019 é de novo aumento. A onda de crescimento na oferta chega em meio às novas tarifas impostas pela China e pelo México sobre o produto, que ameaçam restringir as exportações dos EUA e deixar o país com uma montanha de carne suína barata.

No sábado, ao menos 30 pessoas fizeram uma excursão em Dallas inspirada em comidas com bacon - e atravessaram a cidade experimentando rosquinhas de bacon, sorvete de bacon, geleia de bacon e bacon crocante caramelado.

Embora os preços de varejo do bacon nos últimos 12 meses tenham mostrado tendência de queda, ainda estão mais altos do que há seis anos. Assim, para os entusiastas da carne suína, qualquer recuo é uma notícia bem-vinda.

"É uma experiência que cria quase um elo", afirmou Jeanine Stevens, dona do Dallas Bites! Tours, que leva os participantes a restaurantes e outros estabelecimentos pouco conhecidos. "O bacon é um tipo de comida a respeito da qual as pessoas simplesmente se sentem um tanto entusiasmadas. É uma comida divertida".

Outros americanos podem concordar. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê que o consumo de carne suína nos EUA em 2019 vai subir para 24 quilos por pessoa - está em 23,5 quilos. É o maior consumo per capita desde o início dos anos 1980. O aumento da demanda, contudo, não vai ser suficiente para absorver o da produção, por isso o contrato futuro do suíno vivo está em seu menor patamar desde 2002 para esta época do ano.

Há a previsão de uma "mudança sem precedente" nas exportações mundiais de carne suína no segundo semestre de 2018 e a oferta maior vai pressionar o mercado dos EUA para baixo no resto do ano, segundo analistas do Rabobank, entre os quais Chenjun Pan.

Os fundos hedge mais do que dobraram suas apostas na queda. Um dos motivos pelos quais o aumento na demanda não ajudou tanto nos preços é o fato de o produto concorrendo com os baixos preços do hambúrguer e da carne de frango. A produção total de carnes dos Estados Unidos deverá ser recorde em 2018 e continuar crescendo em 2019, estima o USDA. O contrato à vista de suíno vivo pode chegar a um valor médio de US$ 0,42 por libra-peso em 2019, 7,7% menos que neste ano, segundo projeções do departamento.

"[Para os futuros de suíno vivo], o risco à frente é que tenhamos números enormes de animais chegando e números enormes de carne bovina e de aves", afirmou Don Roose, presidente da firma de administração de investimentos em boi e grãos U.S. Commodities.

Os fundos hedge elevaram sua posição líquida vendida para 8.718 contratos futuros e opções de suíno vivo na semana encerrada em 10 de julho, conforme a Comissão Reguladora de Operações a Futuro com Commodities (CFTC). Esse número, que indica a diferença entre as apostas na valorização e na queda do preço, era de 3.260 da semana anterior. As posições vendidas totais subiram 12% e chegaram ao maior nível desde que os dados começaram a ser contabilizados em 2006. O excesso de oferta de carne não deverá diminuir tão cedo.

As indústrias de carne suína nos EUA vêm abrindo mais fábricas e uma nova deve entrar em operação em 2018, disseram analistas do CoBank em junho. "Com esse aumento na capacidade, é improvável que os produtores diminuam os números de suínos para engorda enquanto os preços estiverem cobrindo os custos variáveis", de acordo com eles.

Ainda assim, o que para carnívoros tem sido boa notícia, para criadores tem sido um problema.

Com as tarifas da China e do México, "40% das exportações totais americanas de carne suína agora sofrem tarifas retaliatórias, ameaçando o meio de vida de milhares de criadores de porcos nos EUA", diz comunicado do Conselho Nacional de Suinocultores, órgão setorial dos EUA. "Agora nos deparamos com uma grande contração e perda financeira em razão da escalada das disputas".

Isso significa problemas, por exemplo, para a Maschhoff Family Foods, uma empresa de criação de suínos em Carlyle, Illinois, que pode ter prejuízo de US$ 100 milhões no ano iniciado em 1º de julho, segundo Ken Maschhoff, presidente do conselho de administração.

Seria um prejuízo anual recorde para a firma, que vende cerca de 5,5 milhões de suínos por ano de suas 550 granjas em nove Estados americanos. Em vez de se expandir dentro do país, a empresa pode investir na produção de suínos na Europa ou na América do Sul se as tensões comerciais continuarem, diz Maschhoff. "Havíamos previsto um ano de 2018 mais ou menos satisfatório, com um 2019 zerado, mas agora os dois anos vão ficar no vermelho para nós".

(Bloomberg) (Megan Durisin e Justina Vasquez )
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quinta-Feira, 21/02
Quarta-Feira, 20/02
Mesmo obrigatória, barreira sanitária é condenada pelo TST (09:12)
Em Dubai, quem quer carne ignora política (08:47)
Abertas inscrições para seleção de participantes da Feira de Investimentos em Dubai (07:38)
Ministério e polícias vão tornar fiscalização do transporte de cargas vivas mais rigorosa (07:34)
SP: preços agropecuários caem 0,88% em janeiro, aponta IEA (07:10)
Suíno Vivo: altas em SP e em SC nesta terça (19) (07:08)
Soja: disputa entre demandas interna e para exportação deve se acirrar e preços no Brasil (07:02)
Milho: mercado brasileiro sem movimentações (07:00)
Terça-Feira, 19/02
No Congresso de Ovos, Biocamp lança nova logomarca e comemora 20 anos de pioneirismo (11:54)
ABPA e DIPOA promovem encontro sobre inspeção (11:04)
Ministério promove, em Brasília, seminário sobre autocontrole na produção agropecuária (09:42)
JBS importa milho pela primeira vez em 2019, diz fonte (09:38)
Dívidas de financiamento para produtores e cooperativas no BNDES são prorrogadas (09:36)
Ação&Manejo: Controle e análise dos dados em granjas produtoras de ovos (09:07)
Frigoríficos buscam atalhos para vender ao Irã (08:20)
Indústria de ração do Brasil sente impacto de menor crescimento do setor de aves (08:15)
Mercado do boi gordo permanece travado (08:10)
Milho: mercado interno encerra segunda-feira com poucas movimentações (08:05)
Preços da soja no Brasil ainda dependem das relações comerciais China x EUA para definir direção (08:00)
ICC Brazil participa da VIV Asia 2019 (07:30)
Segunda-Feira, 18/02
Cobb-Vantress lança novos guias de manejo (13:50)
Blitz de Verão: ASGAV e COBB realizam atividade de promoção do consumo de carne de frango (10:34)
Milho: demanda firme e recuo vendedor sustentam altas (10:17)
Vetanco promove ciclo de palestras no Polo Avícola da Bahia (09:22)
Serviço de inspeção de Caxias do Sul tem equivalência ao Sisbi-Poa reconhecida (07:26)
Ministra defende que Congresso discuta retorno de desconto na conta de energia dos produtores (07:24)
Prazo da Frango Ad’Oro termina no próximo dia 22 (07:21)
Boi Gordo: frigoríficos testam preços abaixo das referências, mas volume de negócios é pequeno (07:06)
Soja: prêmios no Brasil sobem mais de 30% em 1 mês e ajudam cotações no mercado interno (07:00)
Sexta-Feira, 15/02
Frango: Cepea aponta que poder de compra vem registrando mais um mês de queda (09:32)
Ovos: preços de fevereiro são os maiores desde junho/2018, destaca Cepea (09:30)
China anuncia tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro por 5 anos (08:21)
Para cobrir rombo, Estados elevam tributação sobre agronegócio (08:11)
Suíno Vivo: altas em SP, PR, MG e GO (08:08)
Boi Gordo: mercado em ritmo lento (08:06)
Boi Gordo: volume de animais abatidos no BR se eleva em 2018 (08:05)
Milho: mercado estável (08:04)
Soja: preços registram alta (08:00)
MSD Saúde Animal patrocina Congresso de Ovos e debate complexo respiratório em espaço empresarial (07:43)