Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
Empresas

Produção de perus enfrenta desafios no Brasil e no mercado externo
São Paulo, SP, 10 de Julho de 2018 - "Não posso continuar a produzir para vender a ninguém". Assim o vice-presidente de eficiência corporativa da BRF, Jorge Luiz de Lima, ilustrou recentemente a senadores as agruras da empresa no mercado de peru. Sem acesso à União Europeia desde abril, quando foi proibida de exportar em razão da Operação Trapaça, a dona das marcas Sadia e Perdigão reagiu com um movimento drástico, cortando a sua produção de perus em cerca de 50%.

Embora tenha a intenção de atenuar o impacto do desaparecimento repentino da demanda externa - a UE compra quase 40% do que o Brasil exporta -, a medida adotada pela BRF inevitavelmente provocará abalos na oferta de embutidos à base de peru (presunto, peito de peru, blanquet) no mercado doméstico brasileiro, de acordo com três fontes do setor.

Procurada, a BRF assegurou que o corte nos abates de peru não afetará o fornecimento de produtos. "O ajuste não interrompe a produção e o fornecimento do blanquet de peru, bem como o presunto de peru. O peito de peru, produto defumado, também não será encerrado", informou a BRF, em nota ao Valor.

Não há risco de desabastecimento do peru na ceia de Natal. Segundo a BRF, "os perus natalinos e demais subprodutos de perus serão preservados na sua integralidade, sendo produzidos em Chapecó (SC)". Apesar disso, a tendência é que os preços da ave símbolo das festas de fim de ano fiquem mais salgados para os consumidores do país devido à oferta mais "ajustada" à demanda, avaliou um executivo graduado da indústria de carne.

De certa forma, o movimento da BRF no mercado de peru tem até um lado positivo para indústrias e varejistas, ao solucionar o problema das sobras do peru de Natal, argumentou esse executivo. Por causa da renda mais apertada das famílias, o consumo de peru nesse período foi menor que o programado pelos frigoríficos nos últimos anos.

No caso dos embutidos, entretanto, a oferta fatalmente será comprometida. A medida tomada pela BRF tem repercussão na disponibilidade nacional porque há apenas uma outra empresa atuando nesse segmento. Além da BRF, que tem de 70% da produção brasileira de carne de peru, somente a Seara, que pertence à JBS, produz a ave.

No Brasil, apenas quatro frigoríficos abatem perus (ver mapa). Desses quatro, a BRF desativou a linha de abate em dois - Francisco Beltrão (PR) e Mineiros (GO). Além disso, também demitiu cerca de 350 funcionários, restringindo os abates de peru em Chapecó (SC) a apenas um turno. De acordo com estimativas de representantes de sindicatos e avicultores consultados pelo Valor, os abates de perus da BRF devem cair de cerca de 105 mil aves por dia para pouco mais de 50 mil.

No segmento de industrializados, o produto mais afetado pela desativação das linhas da BRF deve ser o presunto de peru, item apreciado sobretudo na região Nordeste. Explica-se: o peru produzido com foco no mercado europeu é abatido com cerca de 20 quilos, enquanto que o peru de Natal tem de quatro a seis quilos. Em geral, a BRF e a Seara exportam apenas o peito de peru à União Europeia. As partes restantes eram usadas na fabricação de outros produtos. A sobrecoxa, por exemplo, é a base da produção do presunto de peru.

Diferentemente de outros animais, como o frango e o suíno, a equação econômica do peru era resolvida facilmente antes da disputa com a União Europeia. "O peito do peru já pagava o resto", afirmou um executivo da indústria. Sendo assim, o presunto de peru e os outros industrializados funcionavam apenas como uma forma de aumentar a rentabilidade. Sem destinação ao peito de peru, por outro lado, a BRF não teria rentabilidade positiva. Por isso, a desativação de linhas de abate.

Além dos impactos na oferta de alguns produtos, a decisão da BRF afeta as economias regionais. De acordo com o presidente da Associação dos Avicultores Integrados do Sudoeste do Paraná (Avisud), Claudinei Colognesi, a desativação da linha de abate de perus em Francisco Beltrão prejudicará 360 famílias de granjeiros. Na cidade, a BRF podia abater diariamente 35 mil perus, disse ele. Na avaliação do presidente da entidade, poucas famílias conseguirão voltar a fornecer à BRF, mesmo que passem a criar frango.

Do lado dos trabalhadores, também há preocupação. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Francisco Beltrão e Região (Stia), Leonete Ventura, até agora cerca de 20 funcionários do frigorífico foram demitidos. "Não sabemos ainda o número exato", afirmou. Em meio à profunda crise financeira, a BRF anunciou na semana retrasada que demitirá 5% dos empregados (4,5 mil trabalhadores) no Brasil. O negócio de peru é uma das faces mais visíveis da crise.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Terça-Feira, 19/02
No Congresso de Ovos, Biocamp lança nova logomarca e comemora 20 anos de pioneirismo (11:54)
ABPA e DIPOA promovem encontro sobre inspeção (11:04)
Ministério promove, em Brasília, seminário sobre autocontrole na produção agropecuária (09:42)
JBS importa milho pela primeira vez em 2019, diz fonte (09:38)
Dívidas de financiamento para produtores e cooperativas no BNDES são prorrogadas (09:36)
Ação&Manejo: Controle e análise dos dados em granjas produtoras de ovos (09:07)
Frigoríficos buscam atalhos para vender ao Irã (08:20)
Indústria de ração do Brasil sente impacto de menor crescimento do setor de aves (08:15)
Mercado do boi gordo permanece travado (08:10)
Milho: mercado interno encerra segunda-feira com poucas movimentações (08:05)
Preços da soja no Brasil ainda dependem das relações comerciais China x EUA para definir direção (08:00)
ICC Brazil participa da VIV Asia 2019 (07:30)
Segunda-Feira, 18/02
Cobb-Vantress lança novos guias de manejo (13:50)
Blitz de Verão: ASGAV e COBB realizam atividade de promoção do consumo de carne de frango (10:34)
Milho: demanda firme e recuo vendedor sustentam altas (10:17)
Vetanco promove ciclo de palestras no Polo Avícola da Bahia (09:22)
Serviço de inspeção de Caxias do Sul tem equivalência ao Sisbi-Poa reconhecida (07:26)
Ministra defende que Congresso discuta retorno de desconto na conta de energia dos produtores (07:24)
Prazo da Frango Ad’Oro termina no próximo dia 22 (07:21)
Boi Gordo: frigoríficos testam preços abaixo das referências, mas volume de negócios é pequeno (07:06)
Soja: prêmios no Brasil sobem mais de 30% em 1 mês e ajudam cotações no mercado interno (07:00)
Sexta-Feira, 15/02
Frango: Cepea aponta que poder de compra vem registrando mais um mês de queda (09:32)
Ovos: preços de fevereiro são os maiores desde junho/2018, destaca Cepea (09:30)
China anuncia tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro por 5 anos (08:21)
Para cobrir rombo, Estados elevam tributação sobre agronegócio (08:11)
Suíno Vivo: altas em SP, PR, MG e GO (08:08)
Boi Gordo: mercado em ritmo lento (08:06)
Boi Gordo: volume de animais abatidos no BR se eleva em 2018 (08:05)
Milho: mercado estável (08:04)
Soja: preços registram alta (08:00)
MSD Saúde Animal patrocina Congresso de Ovos e debate complexo respiratório em espaço empresarial (07:43)
Quinta-Feira, 14/02
Mercado será foco dos debates na abertura do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (13:52)
2ª Conbrasul Ovos abre período de inscrições online (13:38)
Indústria de alimentos prevê avanço de até 4% (09:34)
Etanol de milho avança (09:32)
Nova regra incentiva emissão de letras de crédito do agronegócio (08:50)
Pilgrim’s Pride registra prejuízo de US$ 8,2 milhões no 4º trimestre (08:40)
Recall da BRF expõe falha e transparência (08:38)
IOB segue sua campanha em São Paulo (08:26)
Vetanco homenageia Cooperitaipu (08:22)
Suíno Vivo: estabilidade nas cotações (08:16)
Boi: em SP, preço da arroba está estável (08:12)
Milho: estabilidade domina o dia (08:05)
Preços da soja sobem no Brasil nesta 4ª feira (08:00)
Quarta-Feira, 13/02
VAXXITEK® já imunizou 100 bilhões de aves contra Marek e Gumboro (11:53)
Santa Catarina começa o ano com alta nas exportações de carnes (11:23)
Por salmonela, BRF faz recall de lotes de frango no Brasil e exterior (08:22)
Exportações do agronegócio sobem 6% em 12 meses e somam US$ 102,14 bilhões (08:07)
Suíno Vivo: alta de 5,12% em SC (08:05)
Boi gordo: oferta restrita dificulta a compra pelos frigoríficos (08:03)
Mercado Interno do milho permanece estável (08:00)
Brasil proíbe uso de antibióticos promotores de crescimento (07:51)
Clima adverso faz Conab e IBGE reduzirem projeções para safra (07:50)
SP: produção de grãos deve superar sete milhões de toneladas (07:49)