Sábado, 21 de Julho de 2018
Análise

Seguro rural, ainda para poucos, busca evolução no país

Área assegurada soma 10% do plantio, mas demanda reprimida é o dobro;
São Paulo, SP, 06 de Julho de 2018 - O seguro rural, um dos componentes importantes de gestão e de administração de risco dos produtores, ainda não consegue evoluir no campo.

O Brasil, ao contrário do que ocorre em vários outros concorrentes do país no setor agrícola, tem um sistema ainda incipiente. Apenas 10% da área agrícola do país está assegurada, abrangendo 70 mil produtores.

O produtor começa a ter noção que o seguro é um instrumento importante na sua atividade, mas ainda há muita imprevisibilidade sobre o alcance desse instrumento.

Pedro Loyola, vice-presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que desde 2010 o governo anuncia um valor de subvenção que acaba não se concretizando.

Ele cita o exemplo deste ano. Foram prometidos R$ 550 milhões para o programa de subvenção federal, mas o valor disponível é de apenas R$ 380 milhões.

A falta de uma previsibilidade causa incertezas em todo o mercado. O programa deveria ter, e cumprir, metas para pelo menos cinco anos, segundo ele.

A previsibilidade é importante também para as seguradoras, que poderiam criar produtos específicos e com custos menores em diversas áreas de produção. Atualmente, estão muito bem desenvolvidos os programas para grãos, mas são praticamente inexistentes os destinados à pecuária, segundo Loyola.

O seguro rural pode ser inclusive um forte instrumento de política agrícola. Desde que foi criado o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, em 2006, as seguradoras pagaram pelo menos R$ 3 bilhões em indenizações no seguro rural.

Esse valor significou um volume menor de renegociações de dívidas pelo governo. Para Loyola, a demanda reprimida para o seguro rural é grande e pode chegar a R$ 1,2 bilhão.

Quanto mais a participação do seguro rural avançar no setor, maior estabilidade financeira terá o produtor. E isso é importante porque a maioria dos municípios brasileiros depende do agronegócio. O produtor, quando tem renda, movimenta a economia regional, afirma.

A vida das seguradoras ligadas ao setor rural, contudo, não é fácil. A Sancor Seguros, com 72 anos de tradição na Argentina, ainda caminha para um equilíbrio financeiro. Após cinco anos, e investimentos de R$ 250 milhões no Brasil, deverá atingir o ponto de equilíbrio no próximo ano.

Leandro Poretti, diretor-geral da Sancor, acredita no mercado brasileiro. Para ele, o Brasil está mudando e já supera a Argentina na qualidade de alguns produtos. Enquanto os argentinos têm coberturas voltadas para granizo e geadas, o potencial brasileiro se abra para um leque maior.

A empresa, que deverá ter um faturamento de R$ 420 milhões em 2018, investe anualmente 5% do faturamento em tecnologia.

A Sancor pretende avançar sobre o mercado de seguro rural com a oferta de uma variedade de opções, tanto de tipos de coberturas como de diversificação dos produtos que poderão ser assegurados.

Monitoramento em campo, satélites, tecnologias diversas, estatísticas e regionalização do seguro poderão trazer mais benefícios para o produtor em termos de custos.

Diferentes tipos de seguro e a ampliação do mercado favorecem a atuação das seguradoras. “Uma região compensa a outra, e os preços caem para os produtores”, diz Poretti.

O seguro para grãos e máquinas é o mais evoluído, mas a empresa desenvolve também programas para frutas, café, pecuária e florestas.

As opções para o produtor, dependendo do produto e da região, vão de seguro com base na qualidade, na produtividade, paramétrico (que estabelece parâmetros de cobertura) e efeitos catastróficos.

Mudando de direção - A Rússia, tradicional importadora de carne suína, deverá entrar no mercado exportador em poucos anos, segundo previsões do Rabobank, banco especializado em agronegócio.
(Folha de S.Paulo) (Mauro Zafalon)
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