Domingo, 19 de Agosto de 2018
Política Agrícola

Soja: prêmios sobem mais de 20% no Brasil, mas queda forte em Chicago limita preços nos portos
Campinas, SP, 20 de Junho de 2018 - O dia de ontem foi bastante tenso e intenso para o mercado da soja, tanto no cenário internacional - onde as cotações terminaram o pregão perdendo quase 20 pontos - quanto no quadro interno depois do anúncio de Donald Trump de que as taxas sobre os produtos importados chineses poderiam chegar a US$ 400 bilhões.

O volume já anunciado e oficializado pelo presidente norte-americano é US$ 50 bilhões e a possibilidade de mais tarifação promoveu uma intensa aversão ao risco no mercado financeiro global, uma queda generalizada das commodities - com as agrícolas liderando as baixas - e levou os futuros da oleaginosa a baterem em suas mínimas de dois anos na Bolsa de Chicago.

"Os grãos continuam em uma fase de liquidação, atingindo suas novas mínimas não só na soja, mas também no milho. Além das negociações comerciais confusas e tensas entre China e Estados Unidos, a falta de uma ameaça climática à nova safra norte-americana também tem ajudado a manter essa pressão severa sobre os grãos em um mercado que está sobrevendido neste momento", diz Jason Roose, analista de mercado da U.S. Commodities.

Assim, depois de registrarem perdas de mais de 50 pontos ao longo do dia, as cotações da soja fecharam o dia em Chicago perdendo entre 19,50 e 20,50 pontos - ou mais de 2%, com o julho/18 sendo cotado a US$ 8,89 e o o agosto/18 valendo US$ 8,94 por bushel. O setembro conseguiu recuperar o patamar dos US$ 9,00 e o novembro/18 ficou em US$ 9,11. O julho, que ainda é a posição mais negociada, bateu em US$ 8,41 na mínima do dia.

"Hoje o dia foi de muita aversão ao risco acompanhando essa questão, que parece estar longe do fim, da disputa entre China e Estados Unidos", diz o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities. Os participantes do mercado irão, portanto, esperar por uma melhor definição dessas novas negociações e ameaças para definir seus impactos reais sobre as cotações.

Paralelamente, o bom desenvolvimento da nova safra norte-americana também pesa sobre os preços. As condições de chuva e temperatura têm favorecido as lavouras e, com quase 100% do plantio concluído, mais de 70% das plantações se mostram em boas ou excelentes condições, de acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgados em seu boletim semanal de acompanhamento de safras.

Mercado interno

No Brasil, o destaque ficou por conta dos prêmios. Os valores subiram, nas principais posições de entrega no porto de Paranaguá, mais de 20% somente nesta terça-feira. Julho/18 fechou o dia com US$ 1,65 por bushel acima dos valores praticados na Bolsa de Chicago, agosto com US$ 1,70 e setembro/18 com US$ 1,75.

Para o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, os prêmios no Brasil poderiam alcançar os 200 pontos com, além dessa baixa em Chicago, a sinalização de uma demanda ainda maior da China pela soja brasileira na medida em que a nação asiática trava esta disputa comercial com os EUA.

Embora mais cara nesse momento, a soja brasileira ainda forma preços - contabilizando Chicago e prêmio - que mantêm as margens de esmagamento positivas para a indústria chinesa. O momento, portanto, mantém competitiva a oleaginosa nacional e na vitrine como a principal alternativa de oferta.

Mesmo diante dessa alta, os indicativos nos portos do Brasil não apresentaram grandes modificações nos negócios desta terça. Em Paranaguá, mantidos os R$ 82,00 por saca no disponível e os R$ 82,50 no março/19. Para Rio Grande, R$ 81,00 no spot e R$ 81,50 para julho/18, com altas de 0,75% somente na primeira referência. Os terminais de Santos, Imbituba e São Francisco do Sul fecharam o dia sem cotação.

A incerteza sobre o problema dos fretes e o tabelamento dos valores feito pela ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres) ainda mantém os preços limitados e os negócios travados no mercado brasileiro. Os vendedores estão retraídos, os compradores cautelosos e essa é, como explicam analistas e consultores, uma posição acertada até esse momento.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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