Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
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Soja: Com China no radar, mercado tem forte queda nesta 4ª na CBOT e toca menor nível em nove meses
Campinas, SP, 14 de Junho de 2018 - Após esboçar uma tímida reação no pregão anterior, as cotações da soja negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) finalizaram a quarta-feira (13) com perdas expressivas. Os futuros da commodity encerraram o dia com quedas entre 15,75 e 18 pontos, uma desvalorização de mais de 1%.

O julho/18 era cotado a US$ 9,36 por bushel, enquanto o agosto/18 trabalhava a US$ 9,41 por bushel. O novembro/18 encerrou o dia a US$ 9,58 por bushel. As cotações da oleaginosa atingiram o menor patamar em nove meses, conforme dados da Reuters internacional.

Ainda de acordo com a agência, as cotações da soja recuaram em meio às preocupações recentes as tensões comerciais entre Estados Unidos e China. "As tensões podem em breve estar subindo mais com a China", disse Arlan Suderman, principal economista de commodities da INTL FCStone.

"O governo Trump indicou algumas semanas atrás que estava se preparando para implementar tarifas de até US $ 50 bilhões em bens e serviços vindos da China em 15 de junho", completa o analista.

No quadro fundamental, os traders permanecem atentos à safra americana. E, até o momento, as previsões climáticas tem indicado chuvas para o Meio-Oeste nos próximos dias. Fator que, segundo a Reuters, tem elevado a perspectiva para a produção de soja nesta temporada e aumentado a pressão sobre os preços.

Até o início da semana, em torno de 74% das plantações da soja apresentavam boas ou excelentes condições, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Já a safra americana foi mantida em 116,48 milhões de toneladas de soja na temporada 2018/19.

O departamento ainda reportou a venda de 177 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos. Do total, 5 mil toneladas deverão ser entregues ao longo da campanha 2017/18. O restante, de 172 mil toneladas, deverão ser entregues no ciclo 2018/19.

Mercado interno

Segundo levantamento do economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, nesta quarta-feira, as cotações apresentaram ligeiras movimentações. Em Cascavel (PR), a saca caiu 1,39% e terminou o dia a R$ 71,00. Ainda no estado, nas praças de Ubiratã e Londrina, o recuo ficou em 0,69%, com a saca da soja a R$ 72,00.

Na região de Rio do Sul (SC), a saca recuou 1,33% e encerrou o dia a R$ 74,00. No Porto de Paranaguá, a soja disponível apresentou queda de 1,22% e encerrou o dia a R$ 81,00. O valor futuro registrou perda de 1,20%, com a saca a R$ 82,50.

No terminal de Rio Grande, o valor disponível caiu 1,20%, com a saca a R$ 82,00 e o preço futuro também recuou 1,20%, com a saca a R$ 82,50.

É consenso entre os especialistas que o mercado brasileiro permanece travado em meio às incertezas ocasionadas pelo tabelamento do frete. Cenário que, inclusive, já afetou as exportações brasileiras. No caso da soja, o país deixou de embarcar mais de 1 milhão de toneladas em junho, segundo dados do consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

Na visão do consultor, os produtores brasileiros ainda precisam comercializar 15% da soja da safra 2017/18. "No caso da safra nova, os negócios estavam andando bem antes da greve, mas agora os negócios também estão parados, uma vez que não há base para calcular o frete futuro", pondera. Em torno de 12% a 15% da safra 2018/19 de soja já foi negociada antecipadamente.
(Notícias Agrícolas) (Fernanda Custódio)
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