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Comer um ovo por dia pode proteger o coração, sugere estudo

Pessoas que consomem o alimento têm menos riscos de doenças cardiovasculares
São Paulo, SP, 23 de Maio de 2018 - O ovo, muitas vezes visto como vilão por causa do colesterol e da salmonela, pode ser um aliado da saúde do coração. Ao menos é o que sugere um estudo realizado por pesquisadores da China e do Reino Unido com dados de mais de meio milhão chineses e publicado nesta semana na revista científica “Heart”. Os resultados indicam que pessoas que consomem um ovo por dia reduzem de forma significativa os riscos de doenças cardiovasculares, em comparação com pessoas que não ingerem o alimento.

“O presente estudo revela que existe uma associação entre o consumo moderado de ovos (até um ovo por dia) e taxas mais baixas de eventos cardíacos”, dizem os pesquisadores. “Nossas descobertas sugerem evidências científicas para as diretrizes alimentares em relação ao ovo para o adulto chinês saudável”.

O estudo coordenado por cientistas do Centro de Ciências em Saúde da Universidade Pequim e da Universidade de Oxford analisou dados do China Kadoorie Biobank, com informações de 512.891 adultos com idades entre 30 e 79 anos, de dez regiões diferentes da China. Os participantes foram recrutados entre 2004 e 2008, e, entre as perguntas, foram questionados sobre a frequência do consumo de ovos. Eles foram acompanhados para determinar as taxas de morbidade e mortalidade.

Os pesquisadores focaram num grupo com 416.213 participantes, que não possuíam histórico de câncer, doenças cardiovasculares e diabete. Ao longo de nove anos, foram registrados 83.977 casos de doenças cardiovasculares, com 9.985 mortes, além de 5.103 eventos coronarianos. No início do estudo, 13,1% dos participantes relataram o consumo diário de ovos, enquanto 9,1% disseram nunca consumir o alimento.

A análise dos dados sugere que pessoas que consomem um ovo diário têm menos riscos de doenças cardiovasculares. Em particular, os que comem ovos têm 26% menos riscos de hemorragias cerebrais, 28% menos chances de morrerem por causa do derrame e 18% menos chances de mortes por doenças cardiovasculares. Também foi observado o menor risco para doença arterial coronariana.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional, então não é possível determinar a causalidade, mas pelo tamanho da amostra a correlação é significativa. Nita Forouhi, professora da Universidade de Cambridge não envolvida na pesquisa, explica que por décadas se acreditou que o consumo de ovos aumentava os riscos de doenças cardíacas por causa do colesterol. Entretanto, a concentração de colesterol no sangue é influenciada, principalmente, pelas gorduras saturadas e processos internos do organismo.

— A mensagem deste grande estudo da China é no mínimo que o consumo de um ovo por dia não está relacionado com o aumento do risco cardiovascular e, no máximo, que um ovo por dia pode até trazer benefícios — comentou a pesquisadora. — Mas é importante enfatizar que ovos não são comidos isoladamente, e os padrões saudáveis ou não de dieta como um todo que importam. No contexto ocidental, se você consumir ovos com pães, carnes processadas como bacon e salsichas e ketchup, é diferente de comer ovos com vegetais.

Altas taxas de colesterol estão relacionadas com o aumento do risco de doenças cardiovasculares, entretanto, aponta Tom Sanders, professor da universidade King’s College London, o efeito do consumo de cinco ovos por semana é de 0.1 mmol/L de colesterol, o que representa um aumento de apenas 1% a 2% no risco de doenças cardíacas provocadas pelo colesterol, que pode ser suplantado pelos possíveis benefícios do alimento.

Entretanto, os especialistas ressaltam que o estudo não sugere que as pessoas passem a consumir mais ovos.

— O estudo mostra que comer ovos não está associado com taxas mais altas de doenças cardíacas, então as pessoas que comem ovos podem se garantir que o hábito não apresenta riscos para o coração — avaliou Tim Chico, da Universidade de Sheffield. — Embora seja importante reduzir nosso risco de doenças cardíacas pela dieta e estilo de vida, não é realista pensar que comer mais ovos fará muita diferença, a menos que seja parte de uma mudança mais abrangente em direção a uma dieta mais saudável.
(O Globo) (Redação)
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