Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
Empresas

Lucro da JBS aumentou 43,5% no 1º tri
São Paulo, 15 de Maio de 2018 -

Impulsionada pelo desempenho das operações de carne bovina nos EUA, a JBS registrou lucro líquido de R$ 506,5 milhões no primeiro trimestre, um crescimento de 43,5% em relação aos R$ 353 milhões reportados em igual intervalo do ano passado. Financeiramente, a companhia também dissipou ontem uma dos motivos de receio dos investidores ao anunciar que chegou a um acordo com os bancos no Brasil para rolar dívidas por três anos.

No primeiro trimestre, a JBS voltou a reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses), de 3,38 vezes para 3,24 vezes. Na companhia, a expectativa é que essa tendência de queda perdure ao longo do ano. Na área financeira, um dado negativo foi o fluxo de caixa, que ficou negativo em R$ 109 milhões, reflexo principalmente do aumento dos ativos biológicos nos EUA para dar conta da maior demanda no verão.

Operacionalmente, mais uma vez o ciclo positivo da pecuária nos Estados Unidos beneficiou a JBS. No mercado americano, a companhia é beneficiada por maior oferta e demanda aquecida - o país está em pleno emprego. E, no caso da JBS, ter a conjuntura favorável para o negócio de carne bovina nos EUA costuma significar bom desempenho. A JBS USA Beef (que contempla também o negócio nos Canadá e na Austrália) representa 40% das vendas.

No primeiro trimestre, essa divisão registrou uma margem Ebitda de 6%, ante apenas 3,7% um ano atrás. Nos negócios de carne de frango (Pilgrim's Pride) e carne suína nos EUA, a companhia também registrou melhores resultados, com margens de dois dígitos.

Como um todo, a receita líquida da JBS totalizou R$ 39,8 bilhões, alta de 5,8% na comparação anual. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 2,8 bilhões, avanço de 30%. Com isso, a margem Ebitda ajustada da JBS cresceu 1,3 ponto percentual, passando de 5,7%, no primeiro trimestre de 2017, para 7%.

No Brasil, a JBS registrou melhoras na Seara. No primeiro trimestre, a divisão (que reúne os negócios de aves, suínos e alimentos processados) teve um Ebitda de R$ 330 milhões, incremento de 53% na comparação anual. A margem Ebitda cresceu três pontos, atingindo 8,3%.

Em contrapartida, a receita com as vendas da Seara caiu 2,7%, para R$ 3,9 bilhões. De acordo com a JBS, esse é um reflexo da sobreoferta de carne de frango no país. No primeiro trimestre, o preço do frango vendido pela companhia diminuiu 9%. O segmento é afetado, principalmente, pelo embargo da União Europeia à BRF, a principal empresa do setor.

Neste segundo trimestre, a oferta da frango segue prejudicando a Seara, assim como o aumento dos preços dos grãos - insumo da ração.

Foi também no Brasil que a JBS registrou o pior desempenho de uma de suas frentes de negócio: a carne bovina. Nos primeiro trimestre, as operações de carne bovina no Brasil geraram um Ebitda negativo 1,6%. Apesar de negativo, a avaliação na companhia é que o pior passou e que a rentabilidade vai gradualmente melhorar A divisão de carne bovina no Brasil foi a mais afetada pela delação dos Batista, mas já retomou o nível dos abates.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
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