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Milho: com suporte do clima no Brasil e do câmbio, mercado fecha 2ª feira em alta na BM&F
Campinas, SP, 15 de Maio de 2018 - A segunda-feira (14) foi positiva aos preços do milho negociados na BM&F Bovespa. As principais posições da commodity finalizaram o pregão com valorizações entre 0,49% e 1,77%. O maio/18 era cotado a R$ 42,60 a saca e o setembro/18 trabalhava a R$ 40,36 a saca.

As preocupações com o clima seco e os impactos para a safrinha brasileira continuam a sustentar as cotações do cereal. Em meio a esse cenário, muitas consultorias já reduziram suas projeções para a safrinha nesta temporada.

Até o momento, a leitura é que muitas lavouras já apresentam perdas consolidadas, especialmente no Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e São Paulo. E, as chuvas, se confirmadas, ainda poderiam amenizar parte dos prejuízos para essa safra.

Na região de Doutor Camargo (PR), por exemplo, as chuvas previstas para o final de semana não se confirmaram. Com isso, houve um agravamento no cenário de perdas para a produção de milho safrinha na região nesta temporada.

O produtor rural da localidade, Ildefonso Ausec, reforça que "as lavouras estão sem precipitações há mais de 45 dias e as perdas podem superar os 40% nesta safra". Novas chuvas são previstas para o próximo final de semana na região. Se confirmadas, as chuvas podem estagnar as perdas nos campos.

"Nesse cenário, os produtores/vendedores têm postergado as negociações de novos lotes, e compradores que precisam se abastecer no curto prazo são obrigados a ceder. Assim, os preços do milho continuam em elevação no mercado doméstico", informou o Cepea nesse início de semana.

Outro fator importante na composição desse cenário é o câmbio. A moeda norte-americana avançou 0,76% nesta segunda-feira e encerrou o dia a R$ 3,6281 na venda. O nível é o maior desde 7 de abril de 2016, quando o câmbio fechou a R$ 3,6937.

"O dólar subiu sob influência do cenário externo e de uma pesquisa eleitoral que indicou a preferência por candidatos que os investidores enxergam como menos comprometidos com ajuste fiscal", informou a Reuters.

Já no mercado interno, a segunda-feira foi de ligeiras movimentações aos preços do milho. Conforme levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, em Sorriso (MT), a saca caiu 6,25% e terminou o dia a R$ 15,00.

Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a queda foi de 3,45%, com a saca do cereal a R$ 28,00. Por outro lado, em Campo Grande (MS), a saca subiu 3,03% e encerrou o dia a R$ 34,00. Na localidade de Castro (PR), o preço apresentou alta de 2,56% e a saca finalizou o dia a R$ 40,00.

Bolsa de Chicago

O início da semana foi de ligeiras movimentações aos preços do milho praticados na Bolsa de Chicago (CBOT). Durante toda a sessão desta segunda-feira, as cotações permaneceram próximas da estabilidade e encerraram o dia com leves quedas, entre 0,25 e 0,75 pontos. O maio/18 era cotado a US$ 3,89 por bushel e o julho/18 operava a US$ 3,96 por bushel.

A safra americana continua no radar dos participantes do mercado. Nesta temporada, o início dos trabalhos nos campos aconteceu de maneira mais lenta e, até a última semana, cerca de 39% da área estimada para essa safra havia sido plantada.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza as informações no final da tarde desta segunda-feira. E as apostas dos investidores seria de um plantio concluído entre 58% a 60% da área projetada.

"Chuvas excessivas e temperaturas mais frias estão atrasando o progresso do plantio no norte do Cinturão Agrícola. Nas regiões de Wisconsin, Missouri e sul de Minnesota será necessário, pelo menos, 5-7 dias de estiagem e temperaturas altas para firmar o solo argiloso e permitir a entrada de maquinário pesado", destacou a AgResource.

A consultoria ainda completa que "as previsões continuam trazendo chuvas sucintas para todo o Cinturão Agrícola, uma mudança nos mapas é necessária para manter o bom progresso da safra nos Estados Unidos".

Embora o mercado se concentre na oferta nas próximas semanas, a demanda também está no radar. "O uso de etanol está crescendo modestamente, e as exportações devem ser apoiadas por culturas menores na Argentina e no Brasil", disse Bryce Knorr, analista do portal Farm Futures.

O analista ainda pondera que as chuvas abaixo da média no nordeste da China surge como uma interrogação no mercado. "A China ainda tem grandes reservas para recorrer, mas uma crescente indústria de etanol poderia encorajar algumas importações se o governo permitir", explica.

Ainda nesta segunda-feira, o USDA reportou seu novo boletim de embarques semanais. Na semana encerrada no dia 10 de maio, os embarques do cereal somaram 1.554,495 milhão de toneladas. O volume ficou abaixo do divulgado na semana anterior, de 1,9 milhão de toneladas.

Contudo, o volume ficou dentro das expectativas dos traders, entre 1,4 a 1,8 milhão de toneladas. No acumulado da temporada, os EUA já embarcaram 34.746,261 milhões de toneladas, frente as mais de 40 milhões de toneladas registradas em igual período do ano anterior.
(Notícias Agrícolas) (Fernanda Custódio)
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