Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
Empresas

Foco em Pedro Parente como solução para BRF é exagerado
São Paulo, SP, 26 de Abril de 2018 - A escolha de Pedro Parente para o conselho de administração da BRF ajudará a pacificar entreveros entre grandes sócios, mas esperar que o executivo seja o motor para colocar a maior exportadora de carne de frango do mundo de volta nos trilhos pode ser uma aposta exagerada, disseram fontes à Reuters.

Parente, presidente-executivo da Petrobras,aceitou na semana passada a indicação para integrar o conselho da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão e que fechou 2017 com prejuízo líquido de cerca de 1 bilhão de reais. A expectativa é que, uma vez eleito, seja o presidente do colegiado. Como há consenso entre os principais acionistas da BRF — Petros, Previ, Tarpon e Aberdeen, além do empresário Abilio Diniz — a expectativa do mercado é que o nome de Parente seja confirmado na assembleia de acionistas marcada para esta quinta-feira, em Itajaí (SC).

Para além do consenso dos acionistas em torno do nome de Parente, e de outros executivos que vão compor o futuro conselho da empresa, está sua experiência na presidência executiva da operação brasileira da empresa de commodities Bunge, entre os anos de 2010 e 2014, disseram fontes próximas da BRF e do executivo.

“Ele (Parente) tem uma competência reconhecida”, disse uma fonte próxima da BRF à Reuters, acrescentando, porém, que o mercado pode estar exagerando na importância isolada dele para a BRF, já que outros indicados na composição do futuro conselho incluem o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e não devem ser menosprezados.

“Ele tem um perfil bastante conciliador, tem sensibilidade. Vai apaziguar os ânimos, consolidar alguém (como presidente-executivo) e dar tempo e espaço para que essa pessoa faça seu trabalho. Parente não fará ‘turnaround’ da BRF, mas vai acalmar o conselho, que hoje está uma guerra de nervos”, disse um executivo que conhece de perto o trabalho de Parente.

Desde quarta-feira passada, quando os principais acionistas da BRF manifestaram apoio ao nome de Parente, as ações da BRF acumularam alta de 23 por cento, recuperando parte da queda de 56 por cento acumulada desde o início de 2017 até então.

As fontes ouvidas ponderaram que Parente não tem conhecimento detalhado dos negócios da BRF, mas avaliam que o executivo pode ajudar a dar um choque de gestão na empresa com a definição de metas claras para o grupo que emprega no mundo cerca de 100 mil funcionários, mais que os cerca de 70 mil da Petrobras.

As fontes também citaram uma certa similaridade entre o que Parente encontrou na estatal e o que vai encontrar na BRF, no que se refere aos impactos da operação Lava Jato, no caso da Petrobras, e da Carne Fraca, na BRF.

Um dos desafios similares de Parente nessa direção será o de liderar a escolha de um novo presidente-executivo, já que José Aurélio Drummond Jr. renunciou ao cargo na segunda-feira, posição que será ocupada interinamente pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Lorival Nogueira Luz Jr. Drummond havia ingressado na presidência da BRF em dezembro passado.

LASTRO

Na avaliação de uma das fontes, que também conhece o trabalho de Parente, a passagem dele por uma trading o credencia a enfrentar os desafios da BRF, principalmente no que diz respeito à estratégia de compra e estocagem de milho, o que é vital para uma empresa de alimentos.

Com as mudanças recentes na dinâmica de oferta e demanda do cereal, diz esta fonte, a BRF ainda não foi capaz de reciclar “o velho conhecimento” nesta área.

“No modelo antigo, o mercado interno de milho não tinha as tradings como competidores. Então, ter dinheiro e alguma estrutura de recebimento tornava a estratégia segura. Hoje as cooperativas, empresas de ‘barter’ (troca de insumos por grãos) e tradings se fortaleceram muito”, afirmou a fonte, destacando a importância de ter um bom desempenho na compra de milho para o negócio da BRF.
Além disso, os compradores de grãos enfrentam um mercado em que os vendedores estão mais estruturados, o que permite que os agricultores não vendam seu produto a qualquer preço.

“Hoje o produtor já tem boa capacidade de armazenagem, a comercialização é antecipada e a logística está comprometida com acordos de ‘take or pay’. Isto mudou tudo. Isto obriga as indústrias de alimentos a sair de uma posição reativa e confortável para uma proativa e de muita competitividade”, acrescentou a fonte.

A BRF teve suspensas suas exportações de carne de frango para a União Europeia, um de seus principais mercados, após o bloco de países ter levantado suspeitas sobre a qualidade de produtos brasileiros, como consequência do escândalo da Carne Fraca.

A empresa deve dar férias coletivas a pelo menos três fábricas a partir de maio e considera adotar o regime para uma quarta, após a deflagração da segunda fase da operação da PF em março.
Questionada se não seria muito trabalho para uma pessoa só, presidir a Petrobras e o conselho da BRF, a primeira fonte discordou, comentando que a situação da estatal está encaminhada.

Na BRF, os conselheiros da companhia costumam se reunir uma vez por mês. No entanto, vários deles fazem parte de comitês, como o de estratégia e o de finanças, que assessoram a tomada de decisões do próprio colegiado. (Com reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e José Roberto Gomes, em São Paulo).
(Reuters) (Aluisio Alves e Ana Mano)
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