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Cooperativas oferecem ágio de 26% para garantir milho
São Paulo, 25 de Janeiro de 2018 -

Após uma produção recorde de milho na safra 2016/17, que derrubou os preços no mercado interno, a área destinada ao plantio do cereal no Brasil no próxima safra de inverno (a safrinha) deverá ser a menor desde 1976/77, segundo estimativas do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea). A situação preocupa as cooperativas do Paraná que produzem ração para alimentar aves e suínos destinados ao abate.

Para tentar impedir que a queda da área plantada supere expectativas, algumas das principais cooperativas do Estado adiantaram as campanhas para a compra de insumos pelos produtores cooperados que lhes fornecem o milho e estão oferecendo em troca, em operações de barter, comprar o grão com preços futuros até 26% maiores que os praticados no mercado disponível.

A Coopavel, com sede em Cascavel, começou em novembro a campanha para a venda de defensivos, fertilizantes e adubos aos produtores de milho que vão plantar a safrinha. "Precisamos garantir uma produção de 550 mil toneladas de ração no ano para atender os próprios cooperados e outros criadores de suínos e aves", afirma o diretor presidente da cooperativa, Dilvo Grolli.

Para que o produtor faça o barter com o pacote de insumos, a cooperativa ofereceu pagar entre novembro e este mês de janeiro R$ 26 a R$ 29 por saca de milho a ser colhida na próxima safrinha. No mercado à vista, o preço varia de R$ 22 a R$ 23.

"Conseguimos garantir 10% da estimativa de produção com o sistema. O barter é tradicional, mas costuma ter preços futuros mais baixos, apenas cerca de 5% acima do valor à vista", afirma Grolli. Os cooperados da Coopavel devem semear 80 mil e 100 mil hectares de milho e produzir cerca de 420 mil toneladas. "A estimativa é que 30% da área de produção de milho migre para o trigo, que pode ser plantado mais tarde".

LAR e C.Vale, que atuam no Paraná e em Mato Grosso do Sul, não estabeleceram um valor maior para o preço futuro, mas afirmam querer garantir que a relação entre a troca de insumos e o custo de produtividade seja viável para a safrinha. "Com a queda do preço do milho, a tendência seria de perda para o produtor. Mas a função da cooperativa é garantir a produção, até porque não há alternativa para todos os cooperados ao milho no inverno", afirma Vandeir Conrad, superintendente de negócios agrícolas da LAR.

Segundo ele, a cooperativa processa entre 25% e 30% dos grãos que recebe e comercializa o restante. A expectativa é que, em 2017/18, a LAR receba 32 milhões de sacas de milho, mesmo patamar do ciclo passado.

A C.Vale não divulga quanto pretende negociar em operações de barter, mas Alexandre Tormen, gerente comercial da cooperativa, diz que este ano a modalidade deve voltar a crescer diante dos menores preços da soja e do milho. "Menos capitalizados que em 2016, os produtores dão mais atenção ao barter".

Sem divulgar estimativas, Tormen afirma não acreditar em uma redução expressiva do plantio entre os cooperados, porque não há o que plantar no inverno. "Em poucas regiões onde atuamos o trigo é uma alternativa viável", diz ele.

Para Robson Mafioletti, agrônomo e assessor técnico e econômico da Ocepar, organização que representa as cooperativas do Paraná, a perspectiva de maior recuo de preços do milho ao longo de 2018 também reduz o interesse do produtor pelo plantio do grão. "Ninguém quer gastar com insumo diante da tendência de preços em queda e do estoque elevado no Brasil. Por isso, as cooperativas fazem esse tipo de campanha para, pelo menos, garantir parte da produção", afirma.

Segundo o Cepea, a relação de troca entre milho e alguns insumos piorou em 2017 devido à alta de fertilizantes e sementes em tempos de queda dos preços do grão. "Atualmente, verifica-se atrasos nas compras de insumos para a segunda safra, indicando pouco interesse de produtores", considera o centro.

O comportamento dos preços do milho desde 2016 explica esse quadro. Entre maio e junho daquele ano, período de colheita da safrinha, a saca de milho custava R$ 35 a R$ 40 no Paraná. Na mesma época de 2017, o preço caiu para entre R$ 16,50 e R$ 17. Atualmente, está na casa dos R$ 23.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, a área destinada ao milho no Estado deverá recuar 11% no inverno, para 2,15 milhões hectares.

A Conab ainda não divulgou nova estimativa para a safrinha nacional, mas destacou em relatório que o atraso na semeadura de soja, em função do clima seco, pode impedir que o plantio no Paraná e em Mato Grosso do Sul seja feito no período ideal. "Por isso, a opção dos paranaenses pode ser o trigo", diz Grolli.

Apesar de todo esse quadro, não faltará milho no Brasil como um todo. "Com produção total na casa de 92,2 milhões de toneladas no ciclo 2017/18 e considerando-se os estoques iniciais, a disponibilidade interna pode superar as 111,6 milhões de toneladas. Ao subtrair o consumo interno (58,5 milhões de toneladas), o excedente interno pode superar 53 milhões de toneladas, o que seria o maior da história", diz o Cepea.

(Valor) (Fernanda Pressinott)
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