Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
Matérias-Primas

Cooperativas oferecem ágio de 26% para garantir milho
São Paulo, 25 de Janeiro de 2018 -

Após uma produção recorde de milho na safra 2016/17, que derrubou os preços no mercado interno, a área destinada ao plantio do cereal no Brasil no próxima safra de inverno (a safrinha) deverá ser a menor desde 1976/77, segundo estimativas do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea). A situação preocupa as cooperativas do Paraná que produzem ração para alimentar aves e suínos destinados ao abate.

Para tentar impedir que a queda da área plantada supere expectativas, algumas das principais cooperativas do Estado adiantaram as campanhas para a compra de insumos pelos produtores cooperados que lhes fornecem o milho e estão oferecendo em troca, em operações de barter, comprar o grão com preços futuros até 26% maiores que os praticados no mercado disponível.

A Coopavel, com sede em Cascavel, começou em novembro a campanha para a venda de defensivos, fertilizantes e adubos aos produtores de milho que vão plantar a safrinha. "Precisamos garantir uma produção de 550 mil toneladas de ração no ano para atender os próprios cooperados e outros criadores de suínos e aves", afirma o diretor presidente da cooperativa, Dilvo Grolli.

Para que o produtor faça o barter com o pacote de insumos, a cooperativa ofereceu pagar entre novembro e este mês de janeiro R$ 26 a R$ 29 por saca de milho a ser colhida na próxima safrinha. No mercado à vista, o preço varia de R$ 22 a R$ 23.

"Conseguimos garantir 10% da estimativa de produção com o sistema. O barter é tradicional, mas costuma ter preços futuros mais baixos, apenas cerca de 5% acima do valor à vista", afirma Grolli. Os cooperados da Coopavel devem semear 80 mil e 100 mil hectares de milho e produzir cerca de 420 mil toneladas. "A estimativa é que 30% da área de produção de milho migre para o trigo, que pode ser plantado mais tarde".

LAR e C.Vale, que atuam no Paraná e em Mato Grosso do Sul, não estabeleceram um valor maior para o preço futuro, mas afirmam querer garantir que a relação entre a troca de insumos e o custo de produtividade seja viável para a safrinha. "Com a queda do preço do milho, a tendência seria de perda para o produtor. Mas a função da cooperativa é garantir a produção, até porque não há alternativa para todos os cooperados ao milho no inverno", afirma Vandeir Conrad, superintendente de negócios agrícolas da LAR.

Segundo ele, a cooperativa processa entre 25% e 30% dos grãos que recebe e comercializa o restante. A expectativa é que, em 2017/18, a LAR receba 32 milhões de sacas de milho, mesmo patamar do ciclo passado.

A C.Vale não divulga quanto pretende negociar em operações de barter, mas Alexandre Tormen, gerente comercial da cooperativa, diz que este ano a modalidade deve voltar a crescer diante dos menores preços da soja e do milho. "Menos capitalizados que em 2016, os produtores dão mais atenção ao barter".

Sem divulgar estimativas, Tormen afirma não acreditar em uma redução expressiva do plantio entre os cooperados, porque não há o que plantar no inverno. "Em poucas regiões onde atuamos o trigo é uma alternativa viável", diz ele.

Para Robson Mafioletti, agrônomo e assessor técnico e econômico da Ocepar, organização que representa as cooperativas do Paraná, a perspectiva de maior recuo de preços do milho ao longo de 2018 também reduz o interesse do produtor pelo plantio do grão. "Ninguém quer gastar com insumo diante da tendência de preços em queda e do estoque elevado no Brasil. Por isso, as cooperativas fazem esse tipo de campanha para, pelo menos, garantir parte da produção", afirma.

Segundo o Cepea, a relação de troca entre milho e alguns insumos piorou em 2017 devido à alta de fertilizantes e sementes em tempos de queda dos preços do grão. "Atualmente, verifica-se atrasos nas compras de insumos para a segunda safra, indicando pouco interesse de produtores", considera o centro.

O comportamento dos preços do milho desde 2016 explica esse quadro. Entre maio e junho daquele ano, período de colheita da safrinha, a saca de milho custava R$ 35 a R$ 40 no Paraná. Na mesma época de 2017, o preço caiu para entre R$ 16,50 e R$ 17. Atualmente, está na casa dos R$ 23.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, a área destinada ao milho no Estado deverá recuar 11% no inverno, para 2,15 milhões hectares.

A Conab ainda não divulgou nova estimativa para a safrinha nacional, mas destacou em relatório que o atraso na semeadura de soja, em função do clima seco, pode impedir que o plantio no Paraná e em Mato Grosso do Sul seja feito no período ideal. "Por isso, a opção dos paranaenses pode ser o trigo", diz Grolli.

Apesar de todo esse quadro, não faltará milho no Brasil como um todo. "Com produção total na casa de 92,2 milhões de toneladas no ciclo 2017/18 e considerando-se os estoques iniciais, a disponibilidade interna pode superar as 111,6 milhões de toneladas. Ao subtrair o consumo interno (58,5 milhões de toneladas), o excedente interno pode superar 53 milhões de toneladas, o que seria o maior da história", diz o Cepea.

(Valor) (Fernanda Pressinott)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 19/11
México habilita novas plantas para exportação de carne de aves Negociação externa (12:35)
Novas habilitações para o México devem incrementar exportações de frango do Brasil em 2019 (12:24)
Vetanco participa da 2nd Latin American Scientific Conference (08:15)
Milho: mercado aguarda novidades e fecha pregão desta 6ª com leves quedas na Bolsa de Chicago (08:08)
Soja: mantendo foco na disputa entre chineses e americanos, Chicago recua nesta 2ª feira (08:00)
Necta, com apoio do IOB, reúne alunos de graduação e pós gradução para falar sobre ovos (07:57)
Sexta-Feira, 16/11
FRANGO/CEPEA: carne se valoriza com aumento da procura (08:17)
OVOS/CEPEA: maior demanda eleva cotações; alta do vermelho supera 20% (08:16)
Retomada econômica poderá afetar o campo em 2019, diz analista (08:14)
SUÍNOS/CEPEA: bom ritmo de exportações e demanda interna elevam preço da carne (08:14)
BOI/CEPEA: aumento no abate mostra retomada de produtividade (08:13)
ABPA fomenta novos negócios para importações chinesas de aves e de suínos na CIIE (08:03)
Câmbio e clima nos EUA deixaram o milho na CBOT em total estabilidade (08:02)
Dólar mais alto e neve nos próximos dias nos EUA firmaram a soja em alta moderada em Chicago (08:00)
Quinta-Feira, 15/11
Quarta-Feira, 14/11
Putin ressuscita super-frango russo (20:08)
Brasil pede que Europa revise cotas após Brexit (20:01)
Paraná produzirá até 47% mais milho em 2019 (19:25)
Pilgrim’s, da JBS, concorre por ativos da BRF na Tailândia e Europa (19:22)
FAEP solicita continuidade do programa Tarifa Rural Noturna (19:21)
CNA debate normas técnicas da avicultura (19:19)
Pilgrim’s, da JBS, concorre por ativos da BRF na Tailândia e Europa (19:10)
Distribuidor da Vetanco promove Simpósio no NE (14:53)
Nova ministra terá que lidar com reflexos da Carne Fraca (11:28)
Programa técnico do Congresso de Ovos 2019 já tem principais temas definidos (09:33)
CNA protocola no STF pedido de suspensão de multas relativas a fretes (08:47)
JBS tem resultado operacional recorde, mas fica no vermelho (08:42)
Abate de bois cresceu no 3º tri, mas o de aves diminuiu (08:41)
Excesso de frango nos EUA desafia Tyson Foods (08:10)
Exportação ajuda, e produção de carnes se recupera no 3º trimestre (08:05)
Milho: perdas do trigo pesam e mercado recua mais de 1% nesta 3ª feira na Bolsa de Chicago (08:03)
Alta do dólar tem efeito limitado e preços da soja no mercado brasileiro tem 3ª feira de estabilidade (08:00)
Terça-Feira, 13/11
ABPA participa de websérie para promover a carne de frango brasileira (11:53)
Ovos registram recorde de produção em um terceiro trimestre (10:52)
Abate de frangos cai 4% no terceiro trimestre de 2018 (10:48)
Sinais de queda na oferta de boi em 2019 (08:59)
Frigoríficos ainda esperam boa disponibilidade de animais no ano que vem (08:58)
Aumenta participação de mulheres com nível superior no agronegócio (08:15)
Milho: mercado tem sessão volátil, mas alta do trigo garante leves altas nesta 2ª feira em Chicago (08:09)
Soja fecha com leve baixa em Chicago, enquanto preços têm 2ª feira volátil no Brasil (08:00)
Boi: parada técnica no mercado de reposição (07:50)
Setor de alimentos e bebidas terá rodada de negócios com importadores chineses dia 23 em SP (07:35)
Prêmio para o empreendedorismo (07:33)
Comissão de avicultura da FAEP encerra 2018 de olho no futuro (07:31)
Grão, minérios, combustíveis e Tecon 2 nos planos de Suape (07:28)
Temas ligados à produção animal serão discutidos em Toledo (07:27)