Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
Fiscalização

Descrédito após a Carne Fraca ameaça frigoríficos neste ano
São Paulo, SP, 10 de Janeiro de 2018 - Apesar de comercialmente recuperados do baque causado pela Operação Carne Fraca, os frigoríficos brasileiros começaram o ano ameaçados em diversas frentes. A Rússia, crucial às exportações das carne suína e bovina, segue fechada, enquanto os riscos oriundos de Hong Kong e União Europeia continuam a pairar no horizonte.

A avaliação corrente no setor é a de que, a despeito da rápida e eficaz reação do Ministério da Agricultura para recuperar as dezenas de mercados que embargaram temporariamente as carnes do Brasil, o país perdeu muito em credibilidade na política sanitária global.

"A Carne Fraca criou um estigma em reação ao Brasil", reconheceu o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. Desde março do ano passado, quando a investigação da Polícia Federal foi deflagrada, importadores encontraram uma desculpa para as posições que antes seriam mais associadas ao protecionismo.

"Há um certo oportunismo de mercados que queriam fazer proteção", disse o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. O exemplo mais evidente é a União Europeia. Depois da Carne Fraca, a UE mudou a sistemática de testes de salmonela na carne de frango.

Os europeus passaram a adotar na carne de frango salgada importada do Brasil o mesmo critério para a carne cozida, na qual não pode haver - justamente em razão do processo de cozimento -, a presença de salmonela. Ocorre que a presença da bactéria, que pode causar infecções intestinais, é normal nas carnes in natura como é a salgada.

Contra a mudança de critério dos europeus, o Brasil fez uma reclamação formal na Organização Mundial de Comércio (OMC). No entanto, é sintomático da posição mais frágil do Brasil o fato de agora os exportadores já aceitarem um tipo de certificação que garanta que a carne de frango brasileira será destinada para outras indústrias processadoras na Europa - portanto, para serem cozidas, eliminando risco de salmonela.

Segundo Santin, uma missão de técnicos da UE virá ao país neste mês e há "esperança" de que eles aceitem a certificação de cozimento proposta pelo Brasil. Em todo o caso, técnicos do Ministério da Agricultura já disseram ao Valor temer que as negociações no âmbito das carnes com os europeus sejam afetadas pelos problemas sanitários detectados no setor de pescado. Desde o início de janeiro, os europeus não compram mais pescado do Brasil.

A maior fragilidade em relação aos argumentos protecionistas não é a única sequela da Carne Fraca. Há uma outra relacionada à capacidade de resposta do Brasil.

Quando realizou, no segundo trimestre do último ano, um périplo de encontros internacionais para resgatar os mercados que se fecharam às carnes brasileiras, o Ministério da Agricultura prometeu uma série de respostas e alterações do sistema de inspeção sanitária. O problema é que a maior parte da legislação sequer chegou ao Congresso Nacional, e respostas a dúvidas de importadores não foram satisfeitas a contento.

A Pasta também prometeu um concurso público para contratar 300 veterinários, mas o processo ainda foi finalizado e deve demorar mais alguns meses para os novos profissionais começarem a atuar de fato nos frigoríficos.

O caso mais emblemático nesse sentido é o de Hong Kong, região administrativa especial da China que importa mais de 25% da carne bovina exportada pelo Brasil e mais de 20% da carne suína. Para garantir aos consumidores que compra carne segura do Brasil, autoridades de Hong Kong decidiram criar uma lista própria de estabelecimentos aprovados, e pediu que o Brasil fizesse suas sugestões.

Mas o Ministério da Agricultura não respondeu e, ante o silêncio, a região propôs uma lista de 80 frigoríficos, bem menos que os 230 que hoje podem exportar, medida que tem potencial para reduzir as exportações para Hong Kong em 30%. "O corpo diplomático brasileiro ficou exasperado com a demora", relatou uma fonte.

A lentidão do Ministério da Agricultura também é apontada como a responsável pelo embargo russo. Anunciado em novembro, o veto foi visto como uma resposta de Moscou à demora em liberar os mercados de carne bovina, trigo e pescados para os exportadores russos. "Todo mundo já sabia o que os russos queriam e ninguém fez nada. Foi só cortarem o mercado que o trigo foi liberado", acrescentou a mesma fonte.

Questionado sobre as fragilidades do Brasil, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, admitiu que há "interesses comerciais em jogo" que fazem países importadores pedirem mais agilidade nas medidas na área sanitária. Mas ponderou que a Pasta vem se esforçando para contratar mais fiscais e elaborar um projeto de lei para reestruturar a Secretaria de Defesa Agropecuária. (Colaborou Cristiano Zaia, de Brasília)
(Valor Econômico) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 17/12
Sexta-Feira, 14/12
Encontro de Qualidade Industrial recebe patrocínio e palestra da Cobb-Vantress (16:04)
Sindirações projeta crescimento de até 3% para 2019 (14:37)
FRANGO/CEPEA: abate avança no terceiro trimestre (10:15)
OVOS/CEPEA: maior produção impacta negativamente o setor em 2018 (09:59)
Inscrições abertas para os Trabalhos Científicos na 5ª FAVESU (09:57)
Venda de frango a árabes cai, mas pode voltar a crescer (08:11)
Volume de aves e suínos será menor neste ano, aponta a ABPA (08:07)
Produção de ração no Brasil cresce 0,6% e tem novo recorde em 2018 (08:06)
2ª Conbrasul Ovos 2019: Gramado será a capital internacional da avicultura de postura de 16 a 19 de junho (08:04)
Programa técnico do Congresso de Ovos já tem principais temas definidos (08:03)
Quinta-Feira, 13/12
_produção de ovos de galinha é a maior da série histórica (11:04)
Abate de frangos em agosto foi o segundo maior do ano (11:03)
Já começa a faltar crédito rural a juros controlados (09:17)
IBGE confirma avanço em abates de bovinos e suínos, e queda no frango (09:08)
Plasson investe R$ 28 milhões em expansão da unidade fabril, em Criciúma (08:20)
ABRA protocola ofício com solicitação que impacta indústrias produtoras de farinhas de pena, peixe e sangue (08:14)
Indústria de ovos dos EUA: desafios e oportunidades (08:11)
Fundamentos teóricos e aplicação no processamento de ovos e derivados (08:08)
Quarta-Feira, 12/12
Pioneirismo e inovação marcam 10 anos da Yes (10:12)
Exportações de carne bovina deverão bater novos recordes no ano que vem (08:41)
Embrapa fecha acordo com Sindan para pré-análise de novos produtos veterinários (08:40)
Granja do Cedro é destaque de pecuária no prêmio “As melhores da Dinheiro Rural” (08:40)
Safra pode repetir recorde com 238,4 milhões de toneladas (07:57)
Encontro de Avicultores premia os melhores da Integração Aurora/Cocari (07:56)
Assembleia Legislativa de Goiás homenageia dirigentes da Pif Paf Alimentos (07:54)
BRDE assina contratos de R$ 100 milhões com cooperativas paranaenses durante encontro da Ocepar (07:53)
A crescente preocupação com ectoparasitas e os prejuízos econômicos causados por estes (07:50)
Milho: Bolsa de Chicago segue tendência do dia e fecha terça-feira com pouca movimentação (07:50)
Além do enriquecimento de ovos, selênio apresenta benefícios produtivos (07:48)
Aviagen Estreia “I Escola de Incubação” da América Latina (07:25)
Terça-Feira, 11/12
Cresce dependência do agronegócio brasileiro das importações chinesas (08:06)
Milho: cotação da Bolsa de Chicago encerra segunda-feira próxima da estabilidade (08:03)
Soja: Brasil fecha o dia com estabilidade com recuo de Chicago e dos prêmios (08:00)
Mercado do boi gordo apresenta cenários distintos (07:58)
Inaugurado laboratório de referência em Campinas (07:55)