Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
Produção

Fiesp atrela avanço do campo a reformas
São Paulo, 18 de Dezembro de 2017 -

Poucas vezes nas últimas décadas os produtores rurais do país dependeram tanto de soluções concretas para antigos gargalos estruturais domésticos como agora. Mas, tendo em vista o cenário de menor volatilidade em mercados globais nos quais o Brasil desempenha papel de liderança, melhoras na infraestrutura e no ambiente macroeconômico de urgentes tornaram-se inadiáveis, caminho de mão única para garantir que na próxima década avanços observados nos últimos 20 anos não sejam desperdiçados.

Em linhas gerais, é o que aponta o "Outlook Fiesp - Projeções para o Agronegócio Brasileiro 2027", trabalho recém-concluído pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. E que, partindo da premissa de que as melhorias necessárias de uma forma ou de outra vão acontecer, confirma que o setor continuará a crescer em ritmo anual mais de dois pontos percentuais superior ao da média mundial em alguns segmentos, embora menor que o dos últimos dez anos. "Responsável, em grande parte, pelo início da recuperação econômica em 2017, o agronegócio continuará como um dos protagonistas do Brasil que queremos ser", afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A desaceleração confirmada agora - a mesma tendência foi apontada nos "Outlooks" anteriores da Fiesp, dado o peso da forte escalada registrada entre 2001 e 2010 - não significa que os incrementos estimados serão pouco expressivos. Para a soja, por exemplo, o estudo projeta até a temporada 2026/27 aumentos de 17% da área plantada (para 39,7 milhões de hectares), de 8% da produtividade (para 3,6 toneladas por hectare) e de 27% da produção (para 144,4 milhões de toneladas), sempre tomando-se como base resultados do ciclo 2016/17. Nesse horizonte, as exportações líquidas do grão, carro-chefe do campo nacional, chegariam a 89,8 milhões de toneladas, 43% mais na mesma comparação.

São igualmente positivas as projeções para produção e exportação de farelo de soja, enquanto o óleo de soja também registrará avanços, mas impulsionado pelos prometidos aumentos do percentual de mistura obrigatória do biodiesel no diesel vendido no país, que em março já subirá de 8% para 10%. Tudo isso, é claro, a depender do comportamento do clima. Qualquer vento fora da curva, para o bem ou para o mal, resultará em números diferentes, mesmo que não gere mudanças radicais de rota. Por causa dessa grande influência climática, a Fiesp atualizará seu "Outlook" permanentemente.

Para o milho, o cenário desenhado indica que até 2026/27 haverá incrementos de 10% da área plantada (para 19,3 milhões de hectares), de 10% da produtividade (para 6,1 toneladas por hectare) e de 20% da produção (para 117,7 milhões de toneladas). As exportações poderão aumentar 75% e superar 53 milhões de toneladas, mas, como no caso do farelo de soja, o crescimento da demanda doméstica para a fabricação de rações para aves e suínos também será vital para impulsionar uma firme expansão da oferta do cereal.

Para a carne de frango, o trabalho da Fiesp aponta para aumentos, até 2027, de 23% da produção (para 15,8 milhões de toneladas) e de 31% das exportações (para 5,7 milhões de toneladas). Mas também sinaliza altas de 11% do consumo per capita em relação ao patamar de 2016 (para 48,2 quilos) e, assim, de 19% da demanda interna (para 10,7 milhões de toneladas). Na carne suína, os saltos projetados são ainda maiores - o da demanda doméstica chega a 27%, para 3,6 milhões de toneladas.

No segmento de proteínas animais, são igualmente positivas as previsões de avanço da carne bovina, nos fronts externo e interno. Até 2027, o "Outlook" vê incrementos de 21% da produção (para 11,2 milhões de toneladas), de 53% das exportações (para 2 milhões de toneladas) e de 14% do consumo no país (para 8,7 milhões de toneladas). Mas poucas cadeias dependem tanto de boas condições macroeconômicas irradiadas das políticas definidas em Brasília como essa, como destacam os autores do estudo.

"Soja, milho e carnes são exemplos de que não há grandes mudanças no cenário geral previsto para a próxima década em relação ao que sinalizaram os ' Outlooks' anteriores. São tempos de menor volatilidade de preços no mercado internacional, o que, pelo menos para 2018, significa que a 'inflação dos alimentos' deverá continuar baixa no país. Mas isso a depender do futuro das reformas em curso - e se as eleições presidenciais do ano que vem terão reflexos sobre elas", diz Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Alexandre Mendonça de Barros, diretor da consultoria MB Agro, parceira da Fiesp no trabalho, reforça que o que estará em jogo nas próximas eleições é justamente a continuidade da agenda reformista. Sob uma ótica mais abrangente, essa "disputa" certamente terá desdobramentos importantes sobre o modelo de política agrícola adotado no país. Mas é preciso observar, como realça o especialista, que as oscilações do câmbio também estão em jogo, e que essa é uma variável de grande relevância para a rentabilidade dos produtores brasileiros, sobretudo os que fazem parte das cadeias exportadoras.

O novo "Outlook" da Fiesp não deixa de contemplar, finalmente, a importância das novas ferramentas de crédito à disposição dos produtores rurais em tempos de queda da Selic, a proliferação de tecnologias a preços acessíveis voltadas aos diferentes segmentos e o caráter indispensável da defesa sanitária para o país manter e abrir novos mercados para os produtos do setor.

Mais em www.fiesp.com.br/outlook

(Valor Econômico) (Fernando Lopes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 17/12
Vendas externas do Agro ultrapassam US$ 100 bilhões no acumulado de 12 meses (12:55)
Otimismo no agronegócio impulsiona Agrishow 2019 (11:23)
Peru enfrenta concorrência na mesa de Natal (11:19)
Boi Gordo: indicadores do mercado físico romperam a barreira do R$ 150,00/@ (10:42)
MILHO/CEPEA: restrição vendedora sustenta preço (10:36)
SOJA/CEPEA: queda dos prêmios e baixa demanda pressionam valores (10:35)
APA divulga Programa Tentativo do XVII Congresso de Ovos (10:25)
MSD Saúde Animal anuncia novo presidente (10:11)
Milho pode até ser do México, mas foi domesticado na Amazônia, diz estudo (09:16)
Abertura de mercados e desburocratização foram destaque em balanço de Maggi (09:14)
Pesquisa alerta para a presença de bactérias na carne suína (08:36)
Carcaça bovina alcança o maior preço da história; Exportação de frango e suínos deve crescer até 3% em 2019 (08:15)
Milho: semana termina com Bolsa de Chicago apresentando leves altas (08:05)
Soja: prêmios no Brasil cedem mais de 20% nesta 6ª feira e travam ainda mais negócios no BR (08:00)
Sustentabilidade é uma necessidade de mercado, segundo a Abiove (07:49)
Sexta-Feira, 14/12
Encontro de Qualidade Industrial recebe patrocínio e palestra da Cobb-Vantress (16:04)
Sindirações projeta crescimento de até 3% para 2019 (14:37)
FRANGO/CEPEA: abate avança no terceiro trimestre (10:15)
OVOS/CEPEA: maior produção impacta negativamente o setor em 2018 (09:59)
Inscrições abertas para os Trabalhos Científicos na 5ª FAVESU (09:57)
Venda de frango a árabes cai, mas pode voltar a crescer (08:11)
Volume de aves e suínos será menor neste ano, aponta a ABPA (08:07)
Produção de ração no Brasil cresce 0,6% e tem novo recorde em 2018 (08:06)
2ª Conbrasul Ovos 2019: Gramado será a capital internacional da avicultura de postura de 16 a 19 de junho (08:04)
Programa técnico do Congresso de Ovos já tem principais temas definidos (08:03)
Quinta-Feira, 13/12
_produção de ovos de galinha é a maior da série histórica (11:04)
Abate de frangos em agosto foi o segundo maior do ano (11:03)
Já começa a faltar crédito rural a juros controlados (09:17)
IBGE confirma avanço em abates de bovinos e suínos, e queda no frango (09:08)
Plasson investe R$ 28 milhões em expansão da unidade fabril, em Criciúma (08:20)
ABRA protocola ofício com solicitação que impacta indústrias produtoras de farinhas de pena, peixe e sangue (08:14)
Indústria de ovos dos EUA: desafios e oportunidades (08:11)
Fundamentos teóricos e aplicação no processamento de ovos e derivados (08:08)
Quarta-Feira, 12/12
Pioneirismo e inovação marcam 10 anos da Yes (10:12)
Exportações de carne bovina deverão bater novos recordes no ano que vem (08:41)
Embrapa fecha acordo com Sindan para pré-análise de novos produtos veterinários (08:40)
Granja do Cedro é destaque de pecuária no prêmio “As melhores da Dinheiro Rural” (08:40)
Safra pode repetir recorde com 238,4 milhões de toneladas (07:57)
Encontro de Avicultores premia os melhores da Integração Aurora/Cocari (07:56)
Assembleia Legislativa de Goiás homenageia dirigentes da Pif Paf Alimentos (07:54)
BRDE assina contratos de R$ 100 milhões com cooperativas paranaenses durante encontro da Ocepar (07:53)
A crescente preocupação com ectoparasitas e os prejuízos econômicos causados por estes (07:50)
Milho: Bolsa de Chicago segue tendência do dia e fecha terça-feira com pouca movimentação (07:50)
Além do enriquecimento de ovos, selênio apresenta benefícios produtivos (07:48)
Aviagen Estreia “I Escola de Incubação” da América Latina (07:25)
Terça-Feira, 11/12
Cresce dependência do agronegócio brasileiro das importações chinesas (08:06)
Milho: cotação da Bolsa de Chicago encerra segunda-feira próxima da estabilidade (08:03)
Soja: Brasil fecha o dia com estabilidade com recuo de Chicago e dos prêmios (08:00)
Mercado do boi gordo apresenta cenários distintos (07:58)
Inaugurado laboratório de referência em Campinas (07:55)