Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
Saúde Animal

Antibiótico na natureza gera superbactéria, alerta ONU
Nairóbi, Quênia, 06 de Dezembro de 2017 -

Um problema ambiental está agravando uma séria questão de saúde pública. O desafio é a rápida e crescente resistência bacteriana a antibióticos. O cenário é alimentado pelo lançamento de efluentes com bactérias e antibióticos no ambiente, o que desencadeia um ciclo acelerado de evolução e produz cepas mais resistentes.

Este é um dos principais pontos do relatório "Fronteiras 2017", lançado pela ONU Ambiente e que analisa temas de impacto na sociedade, economia e no ambiente. O capítulo mais impressionante é que estuda a dimensão da resistência de bactérias a antibióticos.

"O material genético das bactérias muda muito rápido. E quando lançamos antibióticos no ambiente, aceleramos este processo", disse ao Valor a cientista Jacqueline McGlade, uma das autoras do estudo. "Elas se tornam rapidamente resistentes, em velocidade muito maior do que a capacidade de desenvolver novos produtos."

Um dos exemplos citados está na cidade de Patancheru, perto de Hyderabad, na Índia, onde uma empresa trata as águas residuais de 90 fabricantes de medicamentos e depois as lança em um afluente de vários rios. Nessa água foi encontrada uma elevada concentração de um antibiótico de alto espectro, o que desencadeia um processo de bactérias resistentes. Este não é um caso isolado.

"O alerta é assustador: podemos estar estimulando o desenvolvimento de 'superbugs' agressivos por ignorância e falta de cuidado", diz Erik Solheim, diretor-executivo da ONU Ambiente. "Temos de dar prioridade ao tema e agir agora, sob o risco de consequências potencialmente terríveis".

"Fronteiras 2017" estima em 700 mil as mortes ao ano causadas por resistência bacteriana. Sally Davies, assessora médica do governo do Reino Unido, disse em outubro que, "se não agirmos agora enfrentaremos um terrível apocalipse pós-antibiótico". As infecções resistentes a medicamentos conhecidos por "antimicrobianos" podem se tornar a principal causa de morte no mundo até 2050.

"Somos obcecados em buscar máxima higiene nos hospitais, para não contaminar o paciente. Mas a água que lavou nossas mãos é depois lançada no ambiente, regará colheitas, bebemos esta água", diz William Gaze, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, autor do capítulo sobre antibióticos no "Fronteira 2017".

O relatório diz ainda que o uso de antibióticos irá aumentar 36% neste século e que o crescimento no uso de antibióticos específicos para os rebanhos será 67% maior em 2030. Mais de 75% dos antibióticos usados na aquicultura podem se espalhar no ambiente.

O estudo foi lançado em Nairóbi, no Quênia, na terceira Assembleia Ambiental da ONU (Unea).

O desenvolvimento de novos antibióticos é caro, e o hábito dos doentes não ajuda. "As pessoas não querem gastar muito com antibióticos", diz Gaze. "É algo incompreensível. As pessoas concordam em pagar milhares de dólares por um tratamento de câncer que irá prolongar a vida por seis meses, mas não querem gastar US$ 100 por algo que irá salvar a sua vida."

Jacqueline MacGlade, que até o ano passado era cientista-chefe da ONU Ambiente, diz que um dos caminhos para resolver a crise é voltar para a natureza e pesquisar intensamente recursos naturais.

Gaze diz que o problema é global, mas que investir em saneamento público ajuda a reduzir os riscos. "Esta é uma questão ambiental e isso não é compreendido. Não sabemos como jogar compostos do gênero nas águas e no solo afeta o ambiente, os ecossistemas", continua o professor.

A jornalista viajou à Unea a convite da ONU Meio Ambiente

(Valor Econômico) (Daniela Chiaretti)
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