Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
Exportação

Mercosul e UE trocam novas ofertas e ficam perto de 'pré-acordo'
Brasília, 06 de Dezembro de 2017 -

Novas propostas de liberalização comercial foram trocadas ontem por Mercosul e União Europeia, em Bruxelas, no penúltimo dia da rodada decisiva de negociações para fechar um acordo que vem sendo costurado há quase duas décadas. A sensação dos dois lados é que um tratado de livre comércio, depois de anos de barganha, agora está finalmente perto de ser anunciado.

Negociadores sul-americanos iniciam hoje mesmo um pente-fino na proposta europeia. Uma das preocupações é verificar se houve mesmo inclusão de açúcar e aumento dos volumes de carne de frango que podem ser exportados com tarifas reduzidas. "Vamos ver agora se era propaganda verdadeira ou enganosa", afirma uma fonte bastante próxima às discussões. "Mas as expectativas de um lado e de outro foram aparentemente preenchidas", frisa.

Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ofereceram maior acesso dos países da UE às compras públicas na região. Também se dispõem a "consolidar" seus atuais níveis de abertura no setor de serviços, o que significa uma garantia de blindagem a eventuais restrições do Mercosul no futuro.

No entanto, ambos os blocos deixaram algumas cartas na manga para o auge das conversas, que ocorre na semana que vem. A UE ainda não melhorou suas cotas para o acesso privilegiado de etanol (600 mil toneladas por ano) e de carne bovina (70 mil toneladas), que são volumes ainda inferiores aos colocados sobre a mesa em 2004, quando um acordo esteve próximo.

Os sul-americanos também preservaram suas últimas concessões para Buenos Aires, às margens da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa no domingo. Logo na chegada, ministros e comissários de Comércio e de Relações Exteriores devem se reunir para uma "troca de impressões" sobre a evolução das conversas. Nos dias seguintes, espera-se a apresentação das ofertas finais. Do lado europeu, virá a proposta definitiva para carne e etanol, que precisa de aval direto da cúpula de Bruxelas por causa das sensibilidade dos europeus.

No fim da semana passada, fontes afirmavam que as chances de anunciar um "pré-acordo" de livre comércio em Buenos Aires eram de 70%. Agora, segundo as autoridades, essa probabilidade é ainda maior. Restaria somente o detalhamento do arcabouço normativo e jurídico como pendência para resolver em 2018.

O presidente Michel Temer estará em Buenos Aires no domingo, para a abertura da conferência, e acompanha de perto as negociações. Na avaliação de seus interlocutores no Palácio do Planalto, ele arbitrará a favor de um acordo, caso as áreas técnicas fiquem em dúvida sobre aceitar ou não a abertura oferecida pelos europeus. A leitura é que o Brasil precisa de mais abertura comercial e anunciar um "pré-acordo" na próxima semana daria um importante trunfo político a Temer.

Além disso, acredita-se que um novo impasse nas discussões significaria o engavetamento definitivo das negociações, que se arrastam desde os anos 90.

(Valor Econômico) (Daniel Rittner)
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