Domingo, 26 de Maio de 2019
Análise

Abate kosher muda e exige mais investimentos no Mercosul
São Paulo, SP, 10 de Agosto de 2017 - A partir de junho do próximo ano, o processo de abate kosher mudará.

Esse tipo de abate é feito conforme a lei judaica. É uma exigência de Israel para a importação de carnes.

A mudança vai exigir investimentos dos frigoríficos habilitados para esse tipo de abate, mas também trará novas perspectivas para a carne kosher, segundo Felipe Kleiman, consultor nessa área.

No sistema de abate atual, os animais são imobilizados à força por várias pessoas antes da degola, provocando muito estresse.

A partir de agora, os frigoríficos deverão instalar um boxe rotativo para o abate kosher, buscando reduzir o sofrimento dos animais.

Trata-se de um boxe no qual o animal entra e, acionado um mecanismo giratório, é posto em posição ideal para a degola.

O abate kosher é feito por um rabino que, com uma faca afiada como um bisturi, faz uma incisão precisa, propiciando ao animal menos dor. "O procedimento é rápido e executado com respeito", diz Kleiman.

O mercado está mudando, e os abates devem seguir as novas tecnologias apropriadas, segundo o consultor.

O Mercosul é o grande fornecedor de carne kosher para Israel, país que importa perto de US$ 400 milhões por ano desse tipo de proteína.

Pelo menos 80% do volume de carne comprada pelos israelenses sai dos frigoríficos do Mercosul.

Kleiman diz que os frigoríficos terão impacto econômico com a instalação desse boxe. Além do custo do equipamento, da exigência de maior espaço nos frigoríficos e de eventuais reformas, os abates serão mais lentos.

Serão abatidos, em média, 60 animais por hora no boxe rotativo, menos que os 80 do sistema convencional.

O mercado está se redesenhando e esse custo vai ser recompensado com uma valorização maior da carne, segundo Kleiman.

Israel abre espaço para carnes mais nobres, e os alimentos kosher têm forte demanda nos Estados Unidos.

Além disso, a Europa, atualmente autossuficiente na produção de carne kosher, não o será no futuro, necessitando de importações.

Com isso, o mercado mundial ficará aberto para os países do Mercosul.

*

Superavit - Os Estados Unidos estão obtendo um saldo comercial melhor no agronegócio neste ano. No primeiro semestre, as exportações superaram em US$ 6,6 bilhões as importações. Em 2016, o saldo era de US$ 2 bilhões nesse mesmo período.

Como foi - O superavit deste ano se deve à melhora das exportações, que subiram para US$ 68 bilhões, 12% mais do que de as de janeiro a junho de 2016. As importações aumentaram apenas 5% no período, para US$ 61 bilhões.

2016 - O saldo acumulado foi de US$ 20 bilhões, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As exportações atingiram US$ 135 bilhões.

Botulismo - Produtores de grãos descartam problemas na qualidade do milho no caso de botulismo em Mato Grosso. Foi apenas um problema operacional no trato da ração, segundo eles.
(Folha de S. Paulo ) (Mauro Zafalon)
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