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Soja: oferta 'abundante' ainda pressiona os preços, apesar da força do consumo
Campinas, SP, 15 de Maio de 2017 - Um momento em que o sentimento de uma oferta global de soja mais confortável se mostra mais presente entre os negócios com a oleaginosa tem mantido os preços os preços da commodity pressionados. Limitadas na Bolsa de Chicago, as cotações comprometem também, e portanto, a formação das referências nas demais origens também encontram pouco espaço para recuperação.

Nesta semana, o mercado internacional caminhou de lado e parece buscar uma direção diante de algumas novas informações recebidas nos últimos dias. Assim, no Brasil, a situação foi semelhante, e os preços caminharam em direções diferentes, dependendo das regiões.

No Paraná, os preços nas principais praças de comercialização perderam entre R$ 0,50 e R$ 2,00 por saca - ou até 3,39%. No Mato Grosso, as perdas se aproximaram de R$ 1,30 em algumas localidades, como Rondonópolis, mas subiram até R$ 1,50 em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis.

Nos portos, as baixas também chegaram a passar dos 2%, com a soja disponível encerrando os negócios com R$ 69,50 em Paranaguá e Rio Grande. Para junho, R$ 70,50 por saca no terminal paranaense.

Na última quarta-feira (10), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe um aumento de sua estimativa da produção e dos estoques globais de soja reforçando ainda este sentimento, segundo explicam analistas e consultores de mercado.

"Com o incremento nos estoques finais de 3 milhões de toneladas, o mercado se tornou mais seguro (...) Porque vê que não precisa tanto 'empenho' neste momento", diz Marlos Correa da Insoy Commodities.

O USDA trouxe, em seu último reporte mensal de oferta e demanda, estoques finais globais projetados em 90,14 milhões de toneladas para a safra 2016/17. Se comparado à temporada anterior, o número é 16,94% maior e, em relação a 2013/14, esse aumento é de 22,32%.

E desde a safra 2013/14, os estoques finais mundiais de soja vêm exibindo crescimentos expressivos, acompanhando a evolução das colheitas nos principais estados produtores. Trabalhando no mesmo intervalo, a produção mundial de soja 2016/17 é 11,10% maior do que a anterior e supera a 2013/14 em 21,99%.

A exceção, é importante lembrar, fica por conta de 2015/16 quando, em função de adversidades climáticas, as safras sofreram perdas expressivas tanto nos Estados Unidos, quanto na América do Sul.

Na sequência, o mercado volta, aos poucos, seus olhos para a nova safra norte-americana que começa a se desenvolver no Corn Belt. O plantio foi iniciado sob muita chuva e temperaturas mais baixas do que o normal para esse tempo de primavera no país e o cenário acaba trazendo algumas incertezas. Até o último domingo (7), 14% da área de soja já havia sido plantada, contra 21% do ano passado e 17% da média plurianual.

"Do ponto de vista fundamental, o cenário é de abundância de soja e, portanto, justifica essa pressão sobre os preços. No entanto, como sempre, o mercado vive de incertezas e o clima, primeiro nos EUA e depois na América do Sul, pode ser um fator que altera esse cenário", explica o diretor da Cerealpar e consultor do Kordin Grain Terminal, de Malta, Steve Cachia.

Assim, para o executivo, as próximas oito semanas podem definir uma direção mais clara para os preços, já que é nesse intervalo que a safra americana também já começa a dar os sinais mais efetivos de seu potencial. Ainda no reporte da última quarta, o USDA trouxe uma produtividade esperada de 54,42 sacas por hectare para a safra 2017/18, considerada por muitos analistas e consultores distante do potencial americano.

Se confirmado, o rendimento médio seria 7,87% menor do que o da safra anterior e assim, mesmo com um incremento de área estimado em 7%, a safra americana chegaria aos 115,8 milhões de toneladas, contra as 117,22 milhões de 2016/17. Porém, se a produtividade superar esse número e chegar, ao menos, nos números da temporada anterior, a colheita dos EUA poderia ir para a casa das 125 milhões de toneladas, ainda como explica Correa.

E com isso, segundo o analista da Insoy, apesar dos problemas que ocorrem agora e dos que podem vir mais adiante - com todo o foco voltado para o clima no Meio-Oeste - o mercado se mantém mais cauteloso com a possibilidade de uma safra maior do que atualmente projetada neste momento. "Esses números de agora são mais conservadores", diz.

Com uma safra de 115,8 milhões, o USDA estima estoques finais norte-americanos em 13,06 milhões de toneladas, 10,3% maiores do que os da safra anterior.

E com safras menores sendo esperadas para os EUA e para a América do Sul, a produção mundial também deve ser menor na temporada 2017/18, segundo os últmos números do USDA, e ficar em 344,68 milhões de toneladas, e os estoques finais globais em 88,81 milhões. Confirmados, as baixas serão de 0,97% e 1,48%, respectivamente, na comparação com 2016/17.

Novas Vendas

Para os volumes que o produtor brasileiro ainda têm para comercializar o atual cenário significa, ainda de acordo com Steve Cachia, a possibilidade de chegada de novas - e talvez curtas - janelas de vendas.

"Para a soja não comercializada, significa que pode haver momentos e oportunidades de preços ligeiramente melhores e que podem ser aproveitados, principalmente, por aqueles que estão muito atrasados na comercialização. Já para aqueles que estão bem adiantados, é muito provável vermos que eles vão querer especular mais com possibilidades de clima adverso em julho e agosto nos Estados Unidos. É tudo relativo", explica o analista.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em seu último levantamento de safra trouxe a produção brasileira de soja estimada em 113,01 milhões de toneladas, e o USDA em 111,6 milhões.

"Hoje, analisando line-up e previsão de exportação para maio, já vemos a possibilidade de uma queda para algo entre 8 e 8,5 milhões de toneladas, e isso muito devido a falta de venda do produtor. Os produtores estão segurando as vendas, esperando o preço melhorar - com razão, na minha opinião - mas tem que tomar muito cuidado com o final do ano e ele segurar demais essa soja", explica o consultor da INTL FCStone, Gustavo Bezerra.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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