Empresas

BRF teve lucro líquido de R$ 293,9 milhões no 3º trimestre

Impulsionada pela recuperação dos preços das carnes de frango e suína nos mercados doméstico e internacional, a BRF reportou hoje um lucro líquido (atribuído aos sócios da controladora) de R$ 293,9 milhões no terceiro trimestre. Trata-se de um desempenho bastante superior ao registrado no mesmo intervalo de 2018, quando a dona das marcas Sadia e Perdigão teve um prejuízo de R$ 798,9 milhões. No ano passado, a BRF sofria com efeitos da excesso de oferta de carne de frango e do embargo da União Europeia, que vetou os produtos da empresa depois da terceira fase da Operação Carne Fraca. Nesse cenário de retomada, a BRF teve uma receita líquida de R$ 8,5 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 8,4% na comparação com os R$ 7,8 bilhões do mesmo período do ano passado. No Brasil, a receita líquida aumentou 6,3%, totalizando R$ 4,4 bilhões. Na mesma base de comparação, o preço médio dos produtos vendidos pela BRF em todo o mundo aumentou 10%. Em contrapartida, o volume vendido globalmente caiu 1,4%. No Brasil, principal mercado da companhia, a queda do volume comercializado foi de 1,7%. O preço médio dos produtos da Sadia e Perdigão no mercado nacional aumentou 8,1%. Com a redução do volume vendido no país, a BRF voltou a perder participação no mercado brasileiro. De acordo com dados da consultoria Nielsen, a participação de mercado consolidada da empresa no país atingiu 43,3%, ante 44,2% no segundo trimestre. É a menor participação de mercado da BRF em pelo menos dois anos, o que indica o desafio da empresa de manter a fatia de mercado em momentos de reajustes de preços. Essa dificuldade já havia aparecido na gestão de Pedro Faria — na era Abilio Diniz. Em termos de rentabilidade, porém, o aumento dos preços teve resultados. No terceiro trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da BRF totalizou R$ 1,6 bilhão, incremento de 178,1% ante os R$ 579 milhões do mesmo período do ano passado. Excluindo os ganhos com ICMS, que não devem se repetir em 2020, o Ebitda ajustado quase dobrou, atingindo R$ 1,1 bilhão. A margem Ebitda ajustada atingiu 19% no terceiro trimestre, aumento de 11,6 pontos percentuais na comparação anual. Sem os ganhos de ICMS, a margem aumentou 6,1 pontos, atingindo 13,5% no terceiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre, porém, a margem Ebitda ajustada piorou. Entre março e junho, esse indicador alcançou 14,6%. Financeiramente, a melhora dos resultados — o grupo gerou R$ 1,3 bilhão em caixa livre no trimestre — ajudou a BRF a reduzir rapidamente o índice de alavancagem. A relação entre o Ebitda ajustado e a dívida líquida da companhia encerrou o terceiro trimestre em 2,9 vezes, ante 3,74 vezes no fim de junho deste ano. Para o fim de 2019, a companhia prevê que o índice de alavancagem atinja 2,75 vezes, o que significa uma melhora ante a meta anterior. Até agosto, a companhia tinha como meta fechar o ano com 3,15 vezes. Em comunicado assinado pelo presidente-executivo Lorival Luz, a BRF argumentou que, mesmo sem o efeito positivo do IFRS16 — norma que mudou o tratamento contábil sobre os arrendamento, aumentando o Ebitda da BRF ao reduzir despesas operacionais —, o índice de alavancagem teria atingido 3,21 vezes, ante 6,74 vezes de um ano atrás. A empresa não divulgou o cálculo combinado da alavancagem sem os ganhos de ICMS e o IFRS16. No fim de setembro, a dívida bruta da BRF somava R$ 21,4 bilhões, redução de 5,4% na comparação anual. A companhia não considera em seus cálculos de dívida o IFRS16, que neste caso teria efeito negativo, já que os arrendamentos contariam como dívidas.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)



Visite  www.ovosite.com.br  - O Portal do Ovo na Internet