Saúde Animal

Produzir aves sem antibióticos exige tempo de aprendizagem, diz executivo

O uso racional de antibióticos na produção de aves pautou o XXVI Congresso Latino-Americano de avicultura, realizado este ano em Lima (Peru). A discussão do assunto se tornou fundamental, diante das mudanças nos hábitos do consumidor moderno.

Para Ricardo Pereira, presidente da Biomin, empresa fabricante de soluções naturais para nutrição animal, esse é um caminho sem volta. Mas exige um tempo de adaptação e ajuste de toda a cadeia produtiva.

Segundo o executivo, algumas empresas já fizeram essa mudança, entre elas a maior produtora de frango do Brasil, a BRF, que já produz 2 bilhões de aves por ano sem uso de antibióticos, uma transformação que levou anos para ser concluída, conta.

Confira a entrevista que o executivo concedeu à Globo Rural.

Globo Rural -  Foi falado muito aqui sobre redução do uso de antibióticos na produção animal. Qual é a importância disso e é possível produzir sem antibióticos?


Ricardo Pereira - É muito importante, porque precisa preservar essas drogas [antibióticos] para o ser humano. Isso é um programa que envolve inclusive a Organização Mundial de Saúde (OMS). E é possível. Nós temos várias experiências de parar de usar, reduzir o número de antibióticos, deixar só pra uso terapêutico, tirar ele da condição de preventivo ou promotor de crescimento, e conseguimos com as nossas soluções fazer com que a produção de carne de frango possa seguir sem antibiótico mantendo os padrões de performance, de custo e eficiência.

Globo Rural - Outro tema bastante falado aqui é a peste suína africana lá na Ásia, que está se espalhando e dizimando o rebanho da China, principalmente. Isso impacta, de alguma forma, o setor brasileiro? O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo. Como isso afeta a cadeia produtiva no Brasil?


Pereira - Muito positivamente e por um longo prazo. A China perdeu, dizem as fontes, entre 30% e 50% da produção de suínos. Eles tinham aproximadamente 1 bilhão de animais, é quase um animal para cada chinês. E reduziram isso pela metade. Para cobrir isso, tem que usar todas as proteínas que estão disponíveis. Frango vai ser a primeira, porque é rápida pra entrar em produção. Tem o lado do ruminante [boi], do peixe e suíno. E o problema na China não se resolve rápido. Não existe vacina para a peste suína africana.  As condições de biosseguridade são difíceis, como em qualquer país. Então isso vai ter um impacto muito positivo em todos os países produtores de proteína animal, e pela minha percepção pelos próximos três a cinco anos, no mínimo.

Globo Rural - Voltando a falar da avicultura e do uso de antibióticos, hoje, você já percebe alguma mudança nessa matriz, no caso da Biomin, que é produtora e fornecedora para a indústria avícola, uma mudança na venda de produtos?


Pereira - Há uma migração muito interessante para essas soluções que substituem o uso de antibióticos. Isso já é claro. Nosso negócio tem sido positivamente afetado por isso. É muito difícil fazer essa mudança, porque você tem que mudar um monte de conceitos. Viemos com os antibióticos até agora, mais de 50 anos a 60 anos, mas mudar exige que enxergue de coisa mais ampla, tem que ter um aproach mais holístico. Dá pra fazer. Há um período de aprendizagem. Algumas empresas estão mais avançadas. A maior empresa do Brasil hoje já produz frango sem nenhum antibiótico promotor de crescimento há mais de três anos. Isso vai continuar acontecendo. Vai acontecer muito rápido, tem um tempo de aprendizado muito interessante. Não é só produto. É o serviço e o conhecimento.

Globo Rural -  Essa mudança é uma exigência do consumo?

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Pereira - Quem puxa isso é o consumidor. Ele quer ter comida mais agradável, mais saudável e por mais tempo, porque nós vamos viver cada vez mais tempo. Isso é fundamental que você tenha essa mudança. Essa mudança vai fazer a diferença na nossa qualidade de vida e muda a indústria como um todo. Ele (consumidor) que puxou. E vai ser sempre ele.



(Globo Rural) (Cassiano Ribeiro)



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