Matérias-Primas

Soja recua mais de 1% nos portos do Brasil

O baixo volume de negócios com a soja continua na Bolsa de Chicago e os futuros da oleaginosa terminaram o dia com leves altas nesta quarta-feira (20), ainda bem próximos da estabilidade. Os ganhos foram de pouco mais de 2 pontos, com o maio fechando o dia com US$ 9,06 e o agosto, US$ 9,26 por bushel. Os traders seguem divididos entre as questões não resolvidas da guerra comercial e as notícias sobre o clima nos EUA, principalmente com a chegada da primavera nos EUA. "É o primeiro dia da primavera e os grãos passaram o dia em campo negativo graças à uma cobertura de posições no trigo (que subiu mais de 1% nesta quarta), mais algumas compras técnicas na soja e no milho", explica o analista da Farm Futures, Ben Potter. Informações que partem do NOAA - o serviço oficial de clima dos EUA - mostra que para os próximos dias se espera um padrão de temperaturas acima da média para o período em boa parte do centro dos Estados Unidos, o que deve prevalecer também até o início da próxima semana. As chuvas também deverão continuar bastante intensas, e ainda castigando alguns estados como Iowa e Nebraska, os quais receberam elevados volumes nos últimos dias e registraram suas piores enchentes em quase 130 anos. O NOAA prevê severas cheias em estados como Kansas, Missouri, Arkansas e Mississipi. Na questão China x EUA, as novidades ainda são poucas. Segundo o presidente americano Donald Trump, as negociações evoluem de forma bastante satisfatória com os chineses, mas nada de concreto ainda está definido. No entanto, Trump voltou a dizer que seu governo pensa em mater as tarifas sobre a China ainda por um longo período de tempo. Mercado brasileiro No Brasil, a estabilidade também pode ser observada em boa parte das principais praças de comercialização do interior do país. Já nos portos, o recuo dessa quarta-feira passou de 1% em Rio Grande e Paranaguá. No terminal paranaense, a soja disponível perdeu 1,30% para fechar com R$ 76,00 por saca, enquanto no gaúcho ficou em R$ 75,00, com queda de 0,66%. Já para o mês seguinte, R$ 77,00 e R$ 75,50, respectivamente, com perdas de 1,28% e 1,31%. As referências acompanharam o dólar, que fechou em seu menor patamar em três semanas, cotado a R$ 3,7661. A queda nesta sessão foi de 0,61%. A pressão maior veio, segundo especialistas, da decisão anunciada pelo Federal Reserve (o banco central norte-americano) de que não fará novos reajustes para cima das taxas de juros neste ano. "O mercado brasileiro continua mostrando poucos negócios. A colheita flui nas regiões Sul e Matopiba, e finalizando no Centro Oeste e Sudeste. Aliado a isso, há ainda as entregas de contratos (firmados anteriormente) e amis a retenção de uma parte do volume da produção para ser negociado mais a frente", diz o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. As contas são simples e a conclusão do analista de mercado da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo é rápida: o Brasil vai ter que racionar a demanda por soja no segundo semestre. O ritmo de exportações, o consumo interno e uma safra estimada em algo próximo a 113 milhões de toneladas mostram que a disputa pelo grão brasileiro deverá ser intensa, mesmo diante da grande oferta disponível nos Estados Unidos.

(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)



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