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Soja cede mais de 10 pts em Chicago com pressão do dólar e intensa aversão ao risco

Os preços da soja, nesta quarta-feira (15), voltaram a recuar de forma bastante expressiva na Bolsa de Chicago e fecharam o dia com perdas de mais de 10 pontos entre os principais vencimentos. O contrato novembro/18, referência para as cotações neste momento, encerrou o dia valendo US$ 8,69 por bushel. Os futuros da oleaginosa acompanharam uma queda generalizada das commodities, as quais foram severamente pressionadas pela intensificação das tensões geopolíticas e das disputas comerciais, bem como de uma alta do dólar frente a uma série de outras divisas. "E essa alta forte do dólar encareceu as commodities nos EUA, pressionando os preços", disse o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora. O petróleo fechou o dia perdendo mais de 3%, o café arábica mais de 2,5% em Nova York e o trigo em Chicago, mais de 1,5%. As commodities energérticas e metálicas também caíram de forma muito expressiva. E as questões geopolíticas estão intimamente ligadas à guerra comercial entrea americanos e chineses e as tensões que crescem entre os dois países. "Acho que ainda não vimos o pior. Só começamos a ver um efeito colateral. Acredito que essa é, de fato, o olho da tempestade e vamos ter outra rodada de fraqueza nos mercados emergentes". De acordo com analistas internacionais, o mercado sentiu ainda a pressão de melhores condições de clima no Corn Belt nos próximos dias, com previsões mostrando mais chuvas para importantes regiões produtoras no país. Como mostra o mapa a seguir, do NOAA - o serviço oficial de clima do governo norte-americano - um bom volume de precipitações está previsto para o intervalo dos próximos sete dias e deve favorecer a conclusão da safra 2018/19 dos EUA. O que segue limitando as baixas nos preços da soja continua sendo a demanda. Além de bons números já conhecidos do total da nova temporada americana comprometida, há rumores, ainda segundo relatou Mariano em entrevista ao Notícias Agrícolas, de que a China teria comprado cerca de sete navios de soja nos EUA. "No entanto, talvez esse volume ainda não seja o suficiente para mudar a tendência do mercado", diz. Apesar disso, mostra a necessidade da nação asiática em direcionar parte de suas compras à oferta americana, uma vez que no Brasil o produto está cada vez mais escasso. Ainda do lado da demanda, nesta quarta-feira a NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) trouxe, em seu reporte mensal, um esmagamento de soja de 167,733 milhões de bushels em julho, sendo este o segundo maior total mensal da história. Com boas e fortes margens de processamento, as indústrias aumentaram seu ritmo e ajudaram no resultado. Mercado Nacional No Brasil, os preços parecem seguir atrelados a uma realidade formanda pela demanda intensa, os prêmios fortes e o dólar ainda resistente, apesar de algumas baixas pontuais. Nesta quarta, a divisa voltou aos R$ 3,90 e terminou o dia com alta de 0,87%. "O recuo da véspera veio de trégua externa. Hoje, com a retaliação dos turcos, as preocupações voltaram", afirmou o diretor da consultoria financeira Via Brasil Serviços, Durval Correa, à Reuters, referindo-se à guerra China x Turquia. E nesse ambiente, os preços voltaram a subir no interior. As altas chegaram aos 9,72%, como foi o caso de Brasília, onde o preço final foi de R$ 79,00 por saca. Em Mato Grosso, os ganhos passaram de 1%, e as baixas foram pontuais. Nos portos, porém, as referências fecharam em campo negativo. Em Rio Grande, baixa de 0,34% para disponível - que ficou em R$ 87,70 - e para setembro/18 - onde o indicativo foi a R$ 88,20. Em Paranaguá, o spot perdeu 0,55% para R$ 91,00, enquanto a referência fevereiro/19 foi a R$ 83,00.

(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)



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