Exportação

Camex pode autorizar negociação com Cingapura

O conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode dar, em reunião agendada para a tarde de hoje, um mandato para o Ministério das Relações Exteriores negociar um acordo de livre comércio entre o Mercosul e Cingapura.

Segundo o Valor apurou, o tema não é consensual dentro do governo, mas autoridades do Palácio do Planalto consideram importante dar esse sinal verde ao Itamaraty, uma vez que a iniciativa converge com as diretrizes da política externa brasileira que visam maior abertura comercial e uma aproximação da Ásia e de parceiros estratégicos na região. Além disso, argumentam, a concessão do mandato não representaria uma decisão do governo de fazer, de imediato, concessões ao país asiático, mas apenas dar sinal verde para o início de tratativas.

Cingapura foi um dos destinos da viagem feita em maio pelo chanceler Aloysio Nunes Ferreira a países do sudeste asiático. Na ocasião, os dois países divulgaram comunicado conjunto no qual reconheceram a importância de obter "relações comerciais mais aprofundadas" e "saudaram" as discussões iniciais sobre um eventual acordo. As negociações também foram citadas pelo próprio presidente Michel Temer em discursos feitos recentemente durante reuniões do Mercosul e do Fórum Econômico Mundial.

Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, a agenda bilateral com Cingapura, inicialmente voltada para questões comerciais, também passou a incluir nos últimos anos parcerias em construção naval, logística portuária e aeroportuária, educação, ciência, tecnologia e inovação. Ainda de acordo com a pasta, Cingapura é o quarto maior investidor asiático em fluxo de recursos no Brasil, com empreendimentos nas áreas de construção naval e aeroportos, além da participação em empresas brasileiras em setores como infraestrutura, educação e serviços hospitalares.

No ano passado, o país foi o principal mercado para as exportações brasileiras entre os países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Importou US$ 2,734 bilhões de produtos brasileiros, o que garantiu um superávit de US$ 2,088 bilhões ao Brasil. No acumulado de 2018, o saldo é positivo em US$ 747,969 milhões para o lado brasileiro.

Entre os produtos que o Brasil mais exporta para Cingapura, destacam-se petróleo, máquinas, ferronióbio e pedaços congelados de aves. Já as importações são principalmente de óleo diesel, inseticidas e circuitos integrados.

(Valor) (Fernando Exman )



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