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BRF está fazendo “o possível e o impossível” para não fechar fábricas

O vice-presidente interino responsável pela área de relações institucionais da BRF, Jorge Luiz de Lima, admitiu ter grande preocupação com o embargo da União Europeia aos frigoríficos da empresa. Em audiência realizada hoje na Comissão de Agricultura do Senado, o executivo disse que a BRF está fazendo o “possível e o impossível” para não fechar fábricas. “A BRF tem feito esforço enorme para evitar fechamento”, afirmou Lima.

De acordo com o executivo, a BRF acabou de finalizar um estudo em suas plantas em Goiás e decidiu que vai desativar a linha de produção de carne de perus na cidade de Mineiros.

A decisão vai provocar uma redução da oferta de peru e limitar a utilização de capacidade em Mineiros a 65%, disse ele. Para amenizar o impacto do encerramento da produção de peru na unidade, a BRF tentará aproveitar parte do quadro de funcionários da unidade goiana. Ele também assegurou que cumprirá os contratos com os produtores integrados que o forneciam peru para a unidade goiana.

“Não temos mais capacidade de exportação de perus em Mineiros, mas não há a menor possibilidade de a BRF não cumprir contrato com os integrados na região”, afirmou. A União Europeia, que vetou a BRF, era o principal destino das vendas de carne de peru.

Por outro lado, a BRF retomará a produção no abatedouro de aves de Rio Verde (GO). Os funcionários dessa unidade entrou em férias coletivas no mês passado como parte da estratégia da companhia, ajustar os estoques em razão do embargo do bloco europeu.

Os dois frigoríficos citados pelo executivo (Mineiros e Rio Verde) foram alvo da Operação Trapaça, deflagrada em 5 de março pela Polícia Federal (PR). Nessa fase, a PF investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo a BRF e laboratórios na análise da bactéria salmonela em lotes de carne de frango para exportação. A suspeitas que vieram à tona motivaram o embargo da União Europeia contra a BRF.

Durante um discurso duro no Senado, Lima afirmou que a empresa tem sofrido com uma série de barreiras, como o embargo europeu e, mais recentemente, o anúncio da aplicação de tarifas antidumping pela China contra o frango brasileiro. “Estamos sob pressão. A China está forçando a gente a negociar preços, e na Europa é nítido o movimento da França e da Irlanda”, disse o vice-presidente da BRF, que é a maior exportadora global de frango “É um momento difícil e complicado”, completou.

A audiência foi solicitada pela senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) para tratar dos impactos da crise da BRF em Goiás. Produtores integrados da BRF e sindicalistas da região acompanharam a audiência.

(Valor) (Cristiano Zaia)



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