Exportação

União Europeia pretende suspender compras de carne de frango da BRF

A União Europeia (UE) avisou o Ministério da Agricultura que pretende suspender todas as importações de carne de frango da BRF, a maior exportadora de carne de frango do país, apurou o Valor. Ao todo, 15 unidades da empresa exportam hoje para os europeus. A BRF não detalha a relevância das exportações para a UE, mas o impacto de um embargo não é negligenciável. Os números se aproximam de R$ 1 bilhão. Considerando as exportações de todos os frigoríficos brasileiros à UE, a receita obtida com as vendas de carne de frango em 2017 foi de US$ 774 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. Se a participação da companhia nas vendas ao bloco for a mesma de sua fatia nas vendas gerais - em torno de 35% - os europeus representam US$ 270,9 milhões ao ano, equivalente a R$ 890 milhões. A postura dos europeus é uma reação direta às explicações dadas pelo Ministério da Agricultura ao pedido de informações feito pela UE após a Operação Trapaça. Agora, a UE exige que o Brasil dê respostas mais concretas sobre o que será feito com as unidades da BRF. O bloco sugeriu claramente que as fábricas da empresa sejam suspensas, disse uma fonte a par do assunto. A UE está incomodada com o fato de laboratórios serem investigados. A questão de fundo é que as fraudes em laudos representam uma quebra de confiança. Por isso, os europeus querem saber se esses laboratórios também faziam testes para outras plantas da BRF e se lastreavam os testes das cargas que seriam enviadas ao bloco. Ao Valor, uma fonte do setor privado demonstrou irritação com a pressão europeia. "Os fatos investigados são de dois anos atrás. E não dá para assumir que todos os laudos eram trocados só porque um funcionário cometeu fraudes em um lugar", argumentou. Na explicação enviada semana passada, o Ministério da Agricultura informou aos europeus que iria intensificar o controle de salmonela em carcaças de frango e perus produzidas nos 15 abatedouros da BRF habilitados a exportar à UE. Desde a Trapaça, três das unidades da BRF estão com as exportações suspensas pelo Ministério da Agricultura porque as investigações apontaram suspeitas de irregularidades sanitárias nos frigoríficos de aves de Rio Verde (GO), Mineiros (GO) e Carambeí (PR). Na tentativa de evitar o embargo europeu contra a BRF, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel, agendou para a próxima segunda-feira um voo para Bruxelas. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e o secretário-executivo da Pasta, Eumar Novacki, também não descartam viagem futura para tentar dissuadir o bloco. Uma fonte do ministério disse que a intenção dos europeus já é conhecida desde a semana passada. O fato agora é que, após terem recebido as explicações do Brasil, os europeus manifestaram que não foram suficientemente atendidos, sustentando o embargo. "O sinal era claro: ou o ministério fazia auto-embargo para tudo ou eles deslistavam todas", disse a fonte. O secretário-executivo Novacki, que assumiu ontem o Ministério da Agricultura interinamente - Blairo Maggi está em viagem pelo interior do Espírito Santo - admitiu que os europeus endureceram as negociações, exigindo celeridade nas respostas do governo brasileiro e demonstrando preocupação com as exportações da BRF. "Não há ameaça. Estamos constantemente trocando explicações com a União Europeia", minimizou Novacki. "Em abril, o Blairo vai para uma missão na Ásia e Oriente Médio. Se precisar, ele ou eu iremos à Europa esclarecer os fatos", acrescentou. Procurada, a BRF disse que não iria se manifestar. Na B3, as ações da empresa recuaram ontem 4,32%, a R$ 25,27. O Ibovespa caiu 1,30%, para 84.928 pontos.

(Valor ) (Redação)



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