Exportação

Reino Unido ameaçou reter cargas da BRF, mas voltou atrás

Como efeito direto da Operação Trapaça, o governo levou um susto na sexta-feira, diante de uma possível trava do Reino Unido a carregamentos de carne de frango da BRF. O governo britânico chegou a notificar o Itamaraty e o Ministério da Agricultura de que reteria qualquer carregamento de carne de aves e de produtos em geral fabricados pela empresa que chegassem até os seus portos, mas logo mudou de ideia. A decisão comercial durou algumas horas, ainda que nenhuma carga tenha sido bloqueada, afirmou ao Valor o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel. De acordo com ele, a possível restrição britânica foi revertida após reações do adido agrícola do Brasil na União Europeia e da embaixada brasileira em Genebra.

Um embargo do Reino Unido seria bastante negativo para o país. Os britânicos respondem por 20% do volume e 25% da receita das exportações de carne de frango dos frigoríficos brasileiros à Europa. Ao todo, as vendas à UE renderam US$ 774,4 milhões em 2017. "A gente recebeu um sinal de que o Reino Unido teria feito restrições, mas eles ficaram satisfeitos com as respostas que enviamos na sexta-feira e mantiveram as importações. Não chegou a haver nenhuma restrição de fato", explicou Rangel em referência às respostas do Ministério da Agricultura ao pedido de informações feito pela UE na semana passada a respeito das investigações da Operação Trapaça. De acordo com Rangel, um fato positivo pode ser extraído desse recuo do Reino Unido. "É interessante, porque isso sinaliza bom senso, que a gente espera também dos Estados-membros da União Europeia", afirmou. O secretário também disse que o comunicado britânico precisa ser encarado dentro do contexto do "Brexit". Logo, não significa uma postura geral da União Europeia, afirmou. Apesar disso, o risco ainda não foi dissipado. Técnicos do Itamaraty e do Ministério da Agricultura ainda não descartam que a União Europeia faça exigências duras ou até possa anunciar algum embargo à carne de frango do Brasil, ainda que temporária. O bloco europeu não se posicionou oficialmente a respeito das respostas do Ministério da Agricultura para os seus questionamentos sobre a Trapaça, terceira etapa da Operação Carne Fraca deflagrada há uma semana pela Polícia Federal com foco em fraudes envolvendo laboratórios e a BRF na análise de salmonela em carne de frango. Na terça-feira, um dia após a Polícia Federal divulgar que cinco laboratórios contratados por plantas da BRF forjaram laudos sobre a bactéria salmonela em carne de frango, a UE foi a primeira a manifestar preocupação e a pedir informações. Os europeus receberam as respostas do Ministério da Agricultura na sexta-feira e devem devolver suas considerações apenas no fim desta semana, informou ao Valor uma fonte do bloco europeu. No entanto, as revelações da Operação Trapaça "nos pegou de surpresa e causou preocupação", disse a mesma fonte. Embora tenha sido renovada com a Operação Trapaça, a preocupação europeia com a bactéria salmonela não é nova. Desde a primeira fase da Carne Fraca os europeus aumentaram os níveis de testes, e agora só aceitam a carne de frango salgada exportada pelo Brasil se ela não tiver qualquer traço da bactéria. Essas exigências reduziram as exportações brasileiras.

(Valor ) (Cristiano Zaia)



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